Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Vem aí o pico da Gripe!

“Quem não recebeu a vacina pode ainda procurá-la em qualquer centro de saúde do País”, advertiu a Direção Geral de Saúde (DGS) num comunicado emitido no dia 9, altura em que foi divulgado o primeiro balanço sobre a atividade gripal e se deu início ao “período epidémico”. A VTM tentou saber dados relativamente ao número […]

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“Quem não recebeu a vacina pode ainda procurá-la em qualquer centro de saúde do País”, advertiu a Direção Geral de Saúde (DGS) num comunicado emitido no dia 9, altura em que foi divulgado o primeiro balanço sobre a atividade gripal e se deu início ao “período epidémico”.

A VTM tentou saber dados relativamente ao número de vacinas dadas na região e à afluência de doentes nos centros de saúde e hospitais locais, no entanto, até à hora de fecho desta edição, não foram divulgados quaisquer informações.

A nível nacional, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge avançou com o primeiro balanço do ano, relatando que na primeira semana de 2015 “a taxa de incidência do síndroma gripal foi de 127,7 casos por cada 100.000 habitantes, encontrando-se acima da zona de atividade basal”, o que indica o “início do período epidémico”.

O mesmo organismo revelou que “foram analisados laboratorialmente 169 casos de síndroma gripal (SG), dos quais 109 negativos para o vírus influenza, 51 positivos para vírus influenza do tipo B (dos quais 25 da linhagem Yamagata, 8 positivos para o vírus influenza A(H3) e 1 positivo para o vírus influenza A(H1)pdm09” e que “a mortalidade por todas as causas” foi “acima do esperado”.

Além de ter sido já anunciado o reforço no combate à gripe nos serviços de urgências e internamentos dos hospitais públicos, sociais e privados, a DGS volta a recomendar a vacinação contra a gripe “como a principal medida de prevenção da doença e das suas complicações, principalmente nas pessoas mais vulneráveis como os idosos e os portadores de doenças crónicas”. “As pessoas a quem se recomenda a vacina e que ainda não foram vacinadas devem fazê-lo no seu Centro de Saúde, sem qualquer encargo”, sublinha a Direção Geral.

No mesmo comunicado é também explicado que apesar de “não ser ainda possível saber qual vai ser o vírus da gripe dominante nesta época em Portugal”, “as vacinas utilizadas no nosso país são trivalentes e, portanto, protegem também contra outros vírus da gripe que possam vir a circular este inverno”.

Até à última semana de 2014, estima-se que tenham sido administradas, gratuitamente, em todo o território nacional, 910.000 doses de vacinas contra a gripe, incluindo as administradas nos centros saúde, lares, unidades de cuidados continuados e outras instituições. Terão sido já administradas 82 por cento das vacinas gratuitas disponíveis no Serviço Nacional de Saúde, estimando-se uma taxa de cobertura da população (maiores de 65 anos) em torno dos 60 por cento.

 

“Os portugueses podem continuar a confiar nos seus serviços de urgência”

 

Perante o cenário de longas horas de espera em serviços de urgência de alguns hospitais do país, o secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, deixou a garantia de que “a situação das urgências não é caótica”.

“O país tem muitas dezenas de serviços de urgência, o que aconteceu foram situações pontuais, onde claramente as coisas não correram tão bem como gostaríamos, com atrasos na avaliação e no início de tratamento de doentes. Somos os primeiros a admitir”, explicou o governante.

A justificação para essas situações está num conjunto de coincidências, nomeadamente “o aparecimento de um surto de frio mais rápido do que se esperaria” que se registou “exatamente na altura das festas de Natal e Ano Novo”, fatores “determinantes que não se vão repetir”.

“Mais uma vez é importante que os portugueses saibam que podem continuar a confiar nos seus serviços de urgência, podem continuar a confiar nos seus médicos e enfermeiros. Eles estão preparados para os servir”, concluiu.

Em caso de sintomas de gripe, os doentes podem recorrer primeiro a linha telefónica Saúde 24 (808 24 24 24), que foi reforçada com um serviço específico que conta com mais de duas dezenas de enfermeiros, e, em caso de necessidade, recorrer aos médicos de clínica geral e familiar dos centros de saúde ou às urgências hospitalares.

 

“Há uma grande confusão entre gripe e resfriado”

 

O primeiro passo para evitar a gripe é a vacinação, defende Abel Afonso, diretor de serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro explicando que ainda persistem “alguns mitos” em relação à vacina.

“Oiço muitos doentes dizer que no ano em que se vacinaram foi quando tiveram mais gripe, mas o problema é que existe uma grande confusão entre gripe e resfriado”, explicou o médico especialista advertindo que o quadro gripal é muito mais que “um pingo no nariz” e uma simples tosse.

A gripe é uma doença sistémica cujos sintomas passam pela tosse, mialgias, artalgias e cefaleias (dores musculares, nas articulações e de cabeça, respectivamente) e febre alta.

O médico é peremptório quando a necessidade de vacinação, idealmente no início do outono, nos primeiros dias de outubro, altura em que a vacina é lançada.

Abel Afonso explica que para as pessoas mais fragilizadas, como os idosos (com mais de 65 anos) ou pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a vacina é gratuita e que por isso “não há desculpas” para não a tomar.

Outro conselho do especialista passa pelo cumprimento das regras emanadas pela Direção Geral de Saúde no que diz respeito à atuação em caso de aparecimento dos sintomas, sendo imprescindível o contacto com a Linha Saúde 24 antes de qualquer outra medida. “Na maior parte dos casos o tratamento passa por ficar três ou quatro dias em casa, fazer uma boa hidratação, tomar antipiréticos e analgésicos e os sintomas vão diminuindo e desaparecem. Caso seja necessário, em caso de doentes com DPCO ou com outras doenças crónicas, devem recorrer ao médico de família que os poderá então encaminhar para o Hospital”.

O pneumologista lamenta que, também devido à elevada procura dos cidadãos às urgências, tenha havido notícias nos últimos tempos que remetem para esperas de cerca de 20 horas em alguns hospitais e sublinha que as unidades de saúde “não podem ser dimensionado mediante um pico de gripe”, que dura um mês ou três semanas.

“Cada doente internado devia levar uma fatura fictícia, não para pagar mas para saber os custos envolvidos”, uma medida que iria “despertar consciências”, levar os doentes a “valorizar mais os profissionais e o Serviço Nacional de Saúde” e contribuir para a “redução dos desperdícios”, sublinhou.

Relativamente ao estado da saúde na região, Abel Afonso acredita que apesar do abandono sentido noutras áreas, hoje “trás-os-Montes tem um bom hospital, o hospital que merece”, que “dá resposta a quase todas as situações” e que, embora em medicina seja sempre preciso mais, tem “acompanhado as necessidades de evolução” das várias especialidades.

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