Apesar de 2007 ter sido considerado um dos anos mais positivos da última década, no que diz respeito aos incêndios florestais, o distrito volta a ver o seu dispositivo de combate reforçado com mais um meio aéreo, um helicóptero pesado, e mais 55 Sapadores, distribuídos por 11 equipas. A sensibilização, a prevenção e a eficácia na primeira intervenção continuam a ser as ideias-chaves para que se mantenham vivos os cerca de 340 mil hectares da floresta vila-realense.
Na “Fase Charlie”, a mais crítica no que diz respeito ao risco de incêndios florestais que decorre entre 1 de Julho e 30 de Setembro o dispositivo pensado para Vila Real vai contar com mais um meio aéreo pesado que ficará instalado na capital de distrito, anunciou Carlos Silva, Comandante Operacional Distrital, no dia 26, durante a apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios 2008.
Durante a cerimónia que decorreu em Chaves e foi presidida pelo Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, Carlos Silva explicou que o meio aéreo que ficará instalado em Vila Real é um “bombardeiro pesado de ataque ampliado” que virá juntar-se aos dois helicópteros (sediados em Ribeira de Pena e Vidago) e aos dois aviões ligeiros (Vila Real) que actuarão durante a “Fase Charlie”.
No entanto, já na “Fase Bravo” que começa no próximo dia 15 e que decorre até ao final de Junho, o distrito vai poder contar com mais um meio aéreo do que no ano passado.
No que diz respeito aos meios humanos, a “Fase Charlie” vai contar com um total de 839 elementos (entre Bombeiros, Sapadores florestais, militares da Guarda Nacional Republicana e do Exército, Polícia de Segurança Pública e Marítima e elementos do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade e Direcção Geral dos Recursos Florestais) ou seja, mais 55 que em igual período de 2007, o que corresponde à entrada em actividade de 11 novas equipas de Sapadores florestais, cujo trabalho se prolongará até ao final da “Fase Delta” que decorre até ao dia 15 de Outubro.
Os homens e mulheres que combaterão as chamas, na altura de maior risco de incêndios florestais, serão apoiados por mais de centena e meia de viaturas, mais 11 que no ano passado, e estarão em funcionamento 26 postos de vigia.
Na “Fase Bravo”, serão 425 os elementos envolvidos no combate aos incêndios, apoiados por 93 viaturas.
“Todas as entidades tudo farão para cumprir os objectivos traçados”, garantiu o Comandante Operacional, lembrando que o distrito de Vila Real é um dos que tem maior risco de incêndio, devido à extensão da sua área florestal que corresponde a cerca de 70 por cento dos seus 430 mil hectares de território.
“Portugal sem fogos depende, realmente, de todos nós”, sublinhou o mesmo responsável.
O Ministro Rui Pereira que tem feito um périplo pelo país, para apresentar os vários dispositivos, esteve, também, no distrito de Bragança, mais exactamente em Mirandela, onde foram apresentados os meios que estarão disponíveis, naquele distrito transmontano, sendo de realçar que a grande novidade será a actuação do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS) da GNR.
Segundo o Ministro, o país vai contar, na “Fase Charlie”, com “o maior dispositivo de sempre de combate”, somando 9.600 homens, 56 meios aéreos e 2.300 viaturas.
“A floresta é um bem ambiental e económico da maior importância e é dever da sociedade defendê-la, em prol das gerações vindouras”, sublinhou Rui Pereira, lembrando que “todos somos agentes de protecção civil”, ou seja, “é de todos nós a tarefa de defender a floresta”.
De recordar que, entre Janeiro e o dia 15 de Outubro de 2007, altura em que se deu por terminada a fase de maior risco, o distrito de Vila Real registou 1.269 fogos e 3.988 hectares de área ardida, o que representa uma redução, em relação à 2006, de 42 por cento, no que diz respeito ao número de incêndios, e de 78 por cento, quando se fala de área ardida.
Apesar de um primeiro balanço ter indicado 2007 como “o ano mais positivo, da última década, no distrito”, Novembro acabou por vir ensombrar as estatísticas, tendo-se registado, naquele mês, 464 incêndios que queimaram 2.265 hectares, sendo que, no total de 2007, os Bombeiros combaterem 1.352 fogos que consumiram uma área de 3.443 hectares.
“Creia-nos disponíveis para, empenhadamente, participarmos nas acções necessárias ao cumprimento dos objectivos do Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios. Contribuindo, desde já, para a prossecução dos objectivos intermédios que levem Portugal a ter, em 2012, menos de 100.000 hectares de área ardida/ano”, garantiu António Martinho, Governador Civil de Vila Real. O mesmo responsável político recordou que, no distrito, nos últimos dois anos, foi cumprido o “programa de fornecimento do equipamento individual aos bombeiros” mas deixou ainda a consideração de que “a satisfação das necessidades dos intervenientes no teatro de operações, nomeadamente no que respeita ao equipamento dos bombeiros, deve ser cuidadosamente analisada, nos distritos, devendo ter-se em atenção o conhecimento dos que, estando mais próximos, também são os que mais directamente se relacionam e vêem, em situações várias, as necessidades e as respostas dadas, em cada momento”.
Maria Meireles






