“O executivo da Avidouro reuniu e ponderou um período de tempo para que fossem tomadas medidas no sentido de melhorar a situação. Como não se tem passado nada, e se até Março não houver novidades, iremos encetar outras acções de protesto”, confirmou Berta Santos, da Avidouro, no final de uma reunião com os produtores.
Uma das acções poderá ser uma vigília junto ao IVDP, onde irão esperar até que algo seja feito. Além desta forma de protesto, a Avidouro vai promover, a 12 de Março, o I Encontro da Lavoura Duriense, onde irão ser debatidos os problemas do Douro e avançar com propostas através de um manifesto que possa ser discutido com todas as entidades ligadas ao sector. Irão ainda participar na concentração nacional da Confederação Nacional da Agricultura, CNA, que se realiza a 20 de Maio, em Lisboa. “Vamos fazer sentir a nossa voz, com algumas acções de protesto”, garantiu.
Neste encontro com os viticultores saíram outras preocupações e exigências quanto à comercialização dos vinhos do porto e mesa. “A situação não se alterou, pelo contrário continua a agravar-se. Continuamos a reivindicar o escoamento, junto do Governo e do IVDP, através da compra de 10 a 15 mil pipas, à semelhança do que fazia a Casa do Douro, para assim regular os excedentes. Pedimos entre 940 e 1050 euros a pipa, valor que tem como base as primeiras transacções que foram feitas no IVDP”.
Berta Santos, em nome da Avidouro, defendeu a intervenção do IVDP e do Governo para garantir a isenção no sector do vinho, contribuindo para o equilíbrio entre a produção e o comércio. Pretende ainda “que a legislação seja cumprida de forma a proibir a rega das vinhas, feita pelas grandes firmas, que aumenta a produtividade e os excedentes”. A Avidouro quer também que o Governo crie linhas de crédito bonificado, a longo prazo, para o desendividamento das adegas e dos vitivinicultores, assim como uma linha de crédito bonificado para acesso exclusivo de pequenas e médias empresas de comércio de vinho do Porto.
A dirigente não esqueceu a Casa do Douro e pediu o início urgente do processo de restituição dos seus poderes públicos, condição necessária para a recuperação económica e social da Região Demarcada do Douro.
O presidente do IVDP, Luciano Vilhena, respondeu às pretensões da Avidouro quanto aos preços do vinho. “A Avidouro tem razão quando reclama a baixa de preço de alguns vinhos, contudo não podemos generalizar. De facto, houve preços praticados nesta vindima que ficam claramente abaixo do que era normal e não há razão para isso. A única explicação que encontro passa por existir uma concentração grande de comerciantes e haver pouca gente a comprar e muita gente a vender. Portanto, há um desequilíbrio entre a grande quantidade de pessoas que oferecem e o reduzido número de pessoas que compram. Isso determina esses desequilíbrios e esses preços anormalmente baixos. Em todo o caso, devo dizer que isso não foi generalizado para a região, houve muitas empresas que mantiveram os preços do ano passado. Já ouvi o senhor ministro da Agricultura falar sobre estes aspectos e referir-se à necessidade dos agrupamentos de produtores e do seu papel para a resolução deste tipo de problemas”, concluiu.





