Num jogo de sentido único, o Vila Real não soube aproveitar as inúmeras ocasiões de golo que criou, por vezes faltou a pontaria, outras vezes foi pura felicidade do adversário, que saiu de Vila Real com os três pontos, mas fez muito pouco para os merecer, no entanto, o futebol é mesmo assim e nem sempre vencem os melhores.
Sem qualquer receio do adversário, os locais entraram em campo à procura da baliza adversária e cedo começaram a criar problemas para o guarda-redes Marco, que esteve muito inspirado entre os postes. Através de pontapés de canto, o Vila Real criava muitas dificuldades ao último reduto forasteiro. Primeiro, foi Tiago que quase fez autogolo, mas a bola saiu por cima do travessão. Depois, foi a vez de Kobe rematar ao lado, na sequência do pontapé de canto cobrado por Meira. O Cesarense estava bem fechado no seu reduto e ia tentando lançar o contra-ataque, mas sem grande convicção. Aos 21’, uma excelente ocasião para os visitados, com Ganyo a cabecear e a bola a ser retirada em cima da linha de golo por um defesa, quando já se gritava golo nas bancadas. O Vila Real pressionava e o líder estava a sentir muitas dificuldades para travar as investidas dos locais. Aos 24’, de novo, a bola a ser retirada em cima da linha de golo, desta vez o cabeceamento foi do central Fred Coelho. Azevedo ainda tentou na recarga, mas a bola embateu na muralha defensiva visitante. Perto do minuto 40, o Cesarense deu um ar da sua graça, mas o remate de Paulo Jorge saiu a rasar o poste. Pouco depois, o árbitro apita para o intervalo.
Na segunda parte, o Vila Real voltou a entrar bem no encontro e continuou à procura do golo que já há muito justificava, no entanto, do outro lado esteve uma equipa que não se deixou surpreender e teve um guarda-redes bem atento, que não deixou que as suas redes fossem violadas. Os locais bem tentaram de todas as formas fazer golo, mas a tarde não foi feliz para o ataque da casa. Aos 48’, uma investida de Fred à área contrária, o central entra na área e oferece a bola a Azevedo que hesitou um pouco e o remate acabou por bater num defesa vindo de Cesar. Pouco minutos volvidos, Azevedo passa por Filipe e coloca no coração da área, onde apareceu Ivo que não foi suficientemente rápido no ataque à bola. Na insistência, Filipe ainda colocou em Ganyo que cabeceou por cima do travessão. Aos 52’, Marco faz a defesa da tarde, ao negar o golo a Fred, que cabeceou para a baliza, mas o guarda-redes voou e travou o remate do central vila-realense. Os donos da casa impunham um ritmo forte, criavam oportunidades, mas a defesa do Cesarense lá conseguia travar as investidas dos vila-realenses, com alguma sorte à mistura. Meira ainda tentou o remate de longe, mas Marco voltou a estar no sítio certo e impediu que a bola entrasse na sua baliza. Os transmontanos arriscaram tudo no ataque, mas não conseguiram marcar e através de um pontapé de canto, o Cesarense vai chegar ao golo da vitória. A bola é colocada ao segundo poste, Cabreca falha a interceção, há um desvio e Carlitos aparece no sítio certo para confirmar o golo. Sorte de campeão e neste jogo foi isso mesmo a que assistimos, com o Vila Real a atacar e o Cesarense a marcar e a levar os três pontos para casa.
Resultado injusto, já que os locais não mereciam tal castigo por tudo aquilo que produziram durante os 90 minutos. O Cesarense já pode encomendar as faixas de campeão.
No próximo domingo, o Vila Real volta a jogar em casa, onde recebe a visita do Rebordosa.
As reações dos treinadores
Abel Ferreira, treinador do Vila Real
“O Cesarense até parecia que lutava para não descer de divisão”
O treinador transmontano referiu que o Vila Real não merecia perder este jogo, já que foi superior ao adversário, mas voltou a pecar na finalização, como tem acontecido em muitos outros jogos.
“Tentamos jogar bem, perante uma equipa que será provavelmente o campeão desta 3.ª divisão. Penso que fizemos tudo para vencer, mas infelizmente não conseguimos marcar. Criamos várias situações claras de golo, mas voltamos a falhar na finalização. Já o Cesarense, sempre com uma postura defensiva, acabou por ser mais feliz e marcou um golo que lhe garantiu os três pontos. Parece que a sorte os protege sempre, pois isso já aconteceu no jogo em que os defrontamos em Cesar, em que não merecíamos perder. No entanto, o futebol é mesmo assim, ganha quem faz golos. Por aquilo que fizemos e mostramos, este resultado é demasiado injusto e penalizador para a minha equipa. Ao longo do campeonato, a falta de eficácia tem sido a pecha desta equipa, mas é com estes jogadores que temos de contar e enfrentar os desafios. Hoje, o Cesarense nem parecia a equipa que está na frente destacada deste campeonato, já que se apresentou com uma postura muito defensiva e até parecia uma equipa que lutava para não descer de divisão. Agora, resta-nos levantar a cabeça e encarar o próximo jogo com uma postura forte para consolidar a nossa posição na tabela, já que o segundo lugar está cada vez mais longe”.
Joaquim Martins, treinador do Cesarense
“Reconheço que tivemos um pouco de sorte”
O técnico visitante realçou a entrega dos jogadores das duas formações, num jogo onde a sua equipa foi mais feliz e assim está mais perto do título de campeão.
“Foi um jogo de luta, de muita entrega e estou satisfeito com a produção dos jogadores. Reconheço que tivemos um pouco de sorte e que o nosso guarda-redes teve uma tarde inspirada. Com esta vitória, estamos cada vez mais perto do título de campeão, mas ainda nada está decidido e todos os clubes vão lutar até ao fim. Claro que estamos satisfeitos com o resultado, apesar da equipa não ter feito um grande jogo. No entanto, acreditamos sempre e é esse espírito que vamos continuar a ter nos próximos jogos. Temos um jogador que tem feito a diferença, o Carlitos, mas ele não faz tudo sozinho, precisa que as bolas cheguem até ele, mas reconheço que é um jogador que merece andar em outros campeonatos, dada a qualidade que tem demonstrado”.
Ficha Técnica
Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca.
Árbitro: Tiago Gonçalves (AF Castelo Branco).
Auxiliares: Ricardo Fernandes e Gonçalo Carreira.
VILA REAL: Cabreca, Filipe, Kobe, Fred, Peixoto, Castanha, Meira, Schuster, André Azevedo (Rudi, 81’), Ivo (Bessa, 65’) e Ganyo (Diogo, 72’).
Suplentes não utilizados: Ousmane, Mica, Abreu e Nuno Fredy.
Treinador: Abel Ferreira.
CESARENSE: Marco, Filipe, Tiago, Paulo Jorge, Américo, João Pinto, Telmo, Hugo (João Paulo, 91’), Pedrinho (Fábio Valente, 64’), Toninho (Renan, 64’) e Carlitos.
Suplentes não utilizados: Fábio, Torres e Ruben.
Treinador: Joaquim Martins.
Ao intervalo: 0 – 0
Cartões Amarelos: Castanha (41’), Telmo (84’), Marco (89’), Filipe (90’), Filipe, do Cesarense (93’).
Marcador: Carlitos (87’).



