Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Vila Real, 4 | Lobrigos, 1

Quem olhar simplesmente para o resultado poderá pensar que o Vila Real não sentiu dificuldades para vencer o Lobrigos, mas na realidade não foi isso que aconteceu, uma vez que os forasteiros deram muito que fazer aos homens da casa, que estiveram em desvantagem até ao minuto 58, altura em que Schuster abriu o caminho para a reviravolta, através de uma grande penalidade. Com mais três pontos conquistados, o Vila Real soma e segue, com nove jogos, outras tantas vitórias e a liderança tranquila da prova.

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O Lobrigos não se amedrontou com o nome do adversário e entrou no Monte da Forca com o intuito de surpreender e foi conseguindo impor o seu jogo, com dois blocos defensivos altos, que não deram espaço ao Vila Real para explanar o seu potencial futebolístico. Como em futebol corrido era difícil entrar na área lobricense, os alvi-negros tentaram criar perigo de bola parada e, aos 10’, Bouças teve uma boa ocasião que foi travada pela defesa de Pedro, que desviou a bola pela linha final. O Vila Real estava envolvido numa teia da qual não conseguia sair, afunilando o seu jogo pelo centro do terreno, não abrindo espaços nos flancos, o que facilitou a tarefa da defensiva visitante. O Lobrigos também não se remeteu à sua defensiva, tentou sempre incomodar Cabreca e, aos 20’, numa perda de bola infantil da defensiva da casa, Alex rematou com muito perigo, mas a bola saiu a rasar a trave. Poucos minutos volvidos, de novo, Alex a entrar na área e a rematar para o desvio de Cabreca. A resposta saiu dos pés de Schuster, mas o remate não levou a melhor direcção, com Pedro completamente batido. Aos 38’, Kobe terá tocado em Bruno dentro da área e o árbitro decidiu apontar para a marca de grande penalidade, mostrando o cartão amarelo ao defesa central vila-realense. Chamado à conversão, Marcos não perdoou e colocou a sua equipa em vantagem, uma surpresa só para quem não assistia ao jogo, pois o Vila Real era uma equipa passiva, sem criatividade, nem velocidade. Em cima do minuto 45, Pedro negou o golo a Tiago, com uma excelente intervenção. O resultado ao intervalo premiava uma boa organização do Lobrigos e espelhava uma fraca exibição dos alvi-negros.

Insatisfeito com a produtividade da sua equipa, o técnico Abel Ferreira deixou Tiago nos balneários e lançou Miguel Ângelo no jogo. O Vila Real entrou com outra ambição, mas continuava a ter algumas dificuldades para chegar com perigo à área contrária. No entanto, com o decorrer do tempo, os atletas da casa começaram a dominar a toda a largura do terreno e, aos 58’, vão chegar à igualdade. Há um cruzamento para o segundo poste e Samuel, ao tentar desviar, toca com a mão na bola e o árbitro, de pronto, aponta para o castigo máximo e mostra o segundo cartão amarelo a Samuel e consequente vermelho. Schuster remata para um lado e o guarda-redes lança-se para o outro, fazendo o golo do empate. Reduzido a dez unidades, o Lobrigos praticamente remeteu-se à sua defensiva, já o Vila Real carregou no acelerador e foi à procura da vitória. Aos 78’, na sequência de um pontapé de canto, há um desvio ao segundo poste e Abreu, na boca da baliza, rematou para o fundo da baliza, fazendo a reviravolta no marcador. A dois minutos dos 90, num rápido contra-ataque conduzido por Schuster e Miguel Ângelo, este cruza para Coutinho atirar para o fundo das redes, fazendo o terceiro golo dos alvi-negros. Já em tempo de compensação, Bessa, já dentro da área, teve tempo e espaço para tudo e colocou nos pés de Azevedo que só teve de empurrar para o fundo da baliza. Estava feito o quatro golo dos visitados, que conseguiram dar a volta ao marcador, fruto da exibição mais conseguida nesta segunda parte.

O Vila Real conquistou a nona vitória consecutiva e já soma 27 pontos, mais nove que os segundos classificados, Murça e Alijoense. Uma palavra para o Lobrigos que mostrou argumentos e qualidade para fazer campeonato sem sobressaltos.

No domingo, o Vila Real terá um duro teste na deslocação a Montalegre, um jogo que terá vários aliciantes, uma vez que os barrosões irão fazer tudo para encurtar distância para o primeiro lugar, resta saber se o vai conseguir. Já o Lobrigos recebe o Fiolhoso e poderá recuperar alguns pontos perdidos.

 

Abel Ferreira, treinador do Vila Real

“O resultado espelha aquilo que se passou em campo”

O técnico vila-realense salientou a postura da equipa na segunda parte, que mereceu com todo o mérito a conquista de mais três pontos.

“Quando jogamos em casa e não marcamos cedo, os jogos tornam-se sempre difíceis. As equipas vêm aqui com uma toada defensiva, como foi o caso do Lobrigos. Fizeram o seu jogo e tivemos realmente algumas dificuldades na primeira parte, onde não estivemos bem e mostramos alguma passividade. Pedi aos jogadores velocidade, mas não a conseguiram impor, fruto também de alguma qualidade do adversário. Sabíamos que se aumentássemos a velocidade de jogo, mais tarde ou mais cedo, iríamos chegar ao golo. Apesar de termos chegado ao intervalo em desvantagem, o jogo teve um único sentido, o Lobrigos praticamente não chegou à nossa baliza e o resultado espelha aquilo que se passou em campo”.

Quanto ao próximo jogo em Montalegre, Abel Ferreira é igual a si próprio, encarando o adversário da mesma forma com que encara todos os jogos do campeonato. “Abordamos todos os jogos da mesma forma. Vamos jogar contra uma equipa que tem menos 10 pontos, que nos permite encarar o jogo sem qualquer pressão. Mesmo assim, vamos ser humildes, perante uma boa equipa, num bom Estádio e vamos tentar conquistar mais três pontos”.

 

Miguel Teixeira, treinador do Lobrigos

“A minha equipa foi briosa na casa do líder”

No final do encontro, o técnico/jogador visitante ficou conformado com o resultado, mas salientou que foi demasiado pesado para aquilo que se passou em campo.

“O resultado não espelha o que aconteceu no terreno de jogo. Há dois lances que marcam o jogo. O primeiro, é a grande penalidade, o meu jogador diz que não toca na bola e o árbitro aponta para o castigo máximo. No segundo golo, parece-me claramente que o jogador que faz o golo está deslocado, ou seja, está em posição irregular. A partir do 2 a 1 e com apenas dez elementos, tudo foi mais complicado para nós, mesmo assim, a equipa esteve bem e foi briosa a jogar na casa do líder. Apesar das dúvidas levantadas sobre esses dois lances que já referi, quero dar os parabéns ao Vila Real, tem uma excelente equipa. Nós vamos continuar a trabalhar para alcançar a manutenção, que é a nossa meta”.

 

Ficha Técnica

 

Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca.

Árbitro: André Santos

Auxiliares: Jorge Silva e José Carvalho.

VILA REAL – Cabreca, Bessa, Nuno Fredy, Kobe, Peixoto (André Coutinho, 59’), Francis, Castanha, Schuster, Bouças (Abreu, 72’), André Azevedo, Tiago (Miguel Ângelo, 45’).

Suplentes não utilizados: Ivo, Júnior, Nunes e Manuel Tapada.

Treinador: Abel Ferreira.

LOBRIGOS – Pedro, Valente, Ricardo Nunes, Samuel, Rafa, Grache, Pedro Ferreira, Marcos, Licínio, Alex (Sérgio, 69’), Bruno (Ricardo Borges, 88’).

Suplentes não utilizados: Hélder e Zé Carlos.

Treinador: Miguel Teixeira.

Ao intervalo: 0 – 1

Cartões Amarelos: Pedro Ferreira (30’), Kobe (38’), Bruno (44’), Castanha (45’), Samuel (45’, 57’), Bouças (60’), André Coutinho (63’), Licínio (78’).

Cartão Vermelho: Samuel (57’)

Marcadores: Marcos (38’), Schuster (58’), Abreu (78’), André Coutinho (88’) Azevedo (93’).

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