“Contra factos não há argumentos”, a adesão dos vila-realenses à Greve Geral do dia 24 foi reduzida, ficando mesmo aquém dos números do ano passado, reconheceu António Serafim, coordenador da União de Sindicatos de Vila Real no final de mais uma jornada de luta dos trabalhadores portugueses.
Apesar de não avançar dados concretos, visto esses serem de difícil cálculo no distrito tendo em conta que um grande número de Sindicatos não tem sequer delegação em Vila Real, o mesmo responsável reconhece que os dados apontam para uma adesão de cerca de 20 por cento.
Durante uma concentração que reuniu perto de uma centena de cidadãos no Largo de Pelourinho, no centro histórico de Vila Real, António Serafim tentou explicar os fracos resultados da greve lembrando que, além da natural dificuldade de mobilização dos vila-realenses, “há um medo instalado nos locais de trabalho, não só entre os jovens ou nos empregadores do sector privado, mas também ao nível da administração pública”.
O coordenador da União de Sindicatos participou num piquete de greve junto do Centro Distrital de Segurança Social, tendo testemunhado na altura que “houve muita gente que manifestou o seu medo e o seu receio de fazer greve”.
Apesar de visivelmente decepcionado com os números da greve no geral, o sindicalista revelou, no entanto, que “há dados relevantes que espelham uma excelente adesão”. “Por exemplo, os centros de saúde da Régua e de Murça, os hospitais da Régua e de Vila Real e, mesmo o de Chaves, no horário nocturno” tiveram uma adesão significava, explicou.
Segundo dados veiculados pelo Bloco de Esquerda, no distrito de Vila Real “o sector mais afectado foi o da saúde, com dois centros de saúde encerrados e os hospitais com serviços na ordem dos 30 por cento”. O partido político revelou ainda que no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) o bloco operatório e a consulta aberta do Hospital da Régua fecharam, no hospital de Vila Real a adesão à greve rondou os 31 por cento nos turnos da noite e da manhã, e em Chaves, no turno da noite, 89 por cento dos enfermeiros não foram trabalhar, números que desceram para os 35 por cento durante a manhã”.
No que diz respeito à educação, “nas escolas de Vidago, Mondim de Basto e as secundárias de Vila Real, São Pedro e Camilo Castelo Branco, entre 30 a 40 por cento dos docentes fizeram greve”.
Em Bragança, o destaque foi “para os transportes urbanos da cidade, que paralisaram, bem como uma linha rural”, sendo ainda de sublinhar que “a ligação aérea entre Bragança e Lisboa foi afectada por causa da greve dos controladores aéreos”. “Na repartição de Finanças, a tesouraria esteve fechada” e na “Caixa Geral de Depósitos também se registou uma adesão significativa, bem como na repartição de Finanças de Freixo de Espada à Cinta, onde a adesão rondou os 100 por cento”.
O Bloco de Esquerda revelou ainda que “no sector privado, o registo de paralisações disponíveis vai para empresa de panificação Seramota, em Mirandela, que também registou paralisação total”.
No final do dia de Greve Geral, o Governo indicou uma adesão de apenas 10,48 por cento na Administração Central, um número que a CGTP e a UGT, que, em conjunto, convocaram a greve, denunciam como uma “tentativa de manipulação” dos dados. “É uma vergonha que ultrapassa todos os limites da decência”, defendem os responsáveis da CGTP, que, na segunda-feira, esteve reunida em Conselho Nacional, onde decidiu promover uma “semana de luta”, entre os dias 12 e 17 de Dezembro, com o objectivo de “defender o emprego, salários e direitos, bem como protestar contra o aumento do horário de trabalho”.





