Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

“Vila Real é a prova” de que a eleição de Cavaco Silva não é uma certeza

Dois dias depois da passagem de Cavaco Silva pelo Teatro de Vila Real, foi a vez de Manuel Alegre subir ao palco e falar aos vila- -realenses. A ‘casa cheia’ foi uma característica comum aos dois comícios, no entanto, se no primeiro o candidato mostrou confiança nos resultados, no segundo, chegou a certeza de que Vila Real é a “prova” de que “isto está a dar a volta para a segunda volta”. No meio de críticas à actuação do ainda Presidente da República, Alegre advertiu que no próximo domingo se vai travar “uma luta de vida ou de morte para a democracia nacional”.

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Pela segunda vez no distrito, Manuel Alegre encheu, no dia 17, o grande auditório do Teatro de Vila Real e, sentindo-se “em casa”, apelou aos vila-realenses para que votem no dia 23, e que, acima de tudo, “não deixem que a direita tome o poder”.

“Hoje perguntaram-me se eu não temia em jogar fora de casa. A resposta está aqui. Vila Real hoje é a minha casa, como ontem foi Matosinhos, como anteontem foi Coimbra, e antes foi Castelo Branco, Viseu, Madeira ou Açores. Todas as terras são a minha casa porque todas as terras são a casa da democracia”, sublinhou desde logo o candidato socialista, mostrando-se muito satisfeito com a demonstração de apoio da população.

Manuel Alegre recordou que, numa altura em que “parecia que não havia necessidade de eleições, nem de campanha”, que o processo de escolha do novo Presidente da República parecia mais uma “coroação”, a sua candidatura “veio estragar a festa”, apareceu como “uma incomodidade, porque tudo estava feito”. “Todos pensavam que o homem já lá estava. Não está! Vila Real é a prova de que não está!”, exaltou o candidato.

Lutar contra a “morte” da democracia portuguesa é, segundo Manuel Alegre, o grande objectivo que os portugueses devem ter em mente no próximo domingo. O rosto do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda explicou que com as eleições presidenciais o país está a travar “uma luta política entre um projecto democrático e progressista, baseado nos direitos políticos e sociais da nossa constituição, e um projecto conservador, apoiado pela direita dos interesses, que querem destruir o estado social”.

Sobre a acusação de que seria “utópico”, Manuel Alegre foi peremptório: “Se querer acabar com as desigualdades e com a precariedade e defender a democracia com estado social é uma utopia, nós vamos realizar essa utopia! Se vencer Cavaco Silva é uma utopia, nós vamos realizar essa utopia!”.

“Não se trata de eleger Manuel Alegre, trata–se de eleger a democracia. Todos vós, que se reclamam dos valores da democracia, do estado social, são candidatos”, sublinhou o mesmo responsável político, exortando à luta pela democracia. “Não permitam que a direita destrua o grande sonho de tantas gerações”.

Questões como a da interioridade, das desigualdades territoriais e da desertificação, também tiveram lugar no discurso efusivo do socialista, que as classificou como alguns “dos mais graves problemas do nosso país”. “A desigualdade territorial põe em causa a coesão nacional mas também é um factor de desigualdade social”, afirmou, explicando que “os jovens que hoje têm novas qualificações e que acabaram os seus cursos, aqui nas terras do interior, não têm as mesmas oportunidades que têm os jovens dos grandes centros urbanos. E isso é algo que não pode ser feito só pelas autarquias, isso é uma função do Estado, do país no seu todo”. “Não pode haver portugueses de primeira e de segunda”, defendeu.

O candidato garantiu que, se for eleito, vai promover “um grande debate sobre a melhor maneira de encontrar uma solução política, económica e social para as regiões do interior, para combater a desertificação, uma forma de desigualdade que mina a coesão nacional”.

Antes do candidato, discursaram Ivo Oliveira, director de campanha no distrito, Fernando Rosas, deputado e dirigente do Bloco de Esquerda, e Alberto Martins, dirigente do Partido Socialista e Ministro da Justiça.

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