Sábado, 13 de Dezembro de 2025
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Vila Real perde nos Açores e está fora da Taça de Portugal

Na 1ª eliminatória da Taça de Portugal, o Vila Real foi até à ilha de São Miguel, nos Açores, para defrontar o Clube Operário Desportivo, uma equipa da segunda divisão nacional que foi mais forte e acabou por tirar prematuramente os transmontanos da prova. Apesar de ter chegado ao intervalo a vencer, o Vila Real não conseguiu guardar essa vantagem e permitiu a reviravolta no marcador. O Operário e o Vila Real proporcionaram um jogo bastante competitivo, apesar de ser o primeiro jogo oficial da época para as duas formações. Na primeira metade, os transmontanos foram mais consistentes, mas na segunda parte os locais conseguiram encostar os vila-realenses à sua defensiva e deram a volta ao marcador.

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Os primeiros minutos foram pautados pelo equilíbrio, com as duas equipas a arriscarem pouco e o jogo a ser muito disputado no centro do terreno. Mesmo assim, foram os locais que tiveram uma excelente oportunidade para inaugurar o marcador, mas o jovem guarda-redes Marcelo fez uma defesa extraordinária e evitou o primeiro golo do encontro. A partir dos 20 minutos, o Vila Real aumentou o ritmo de jogo e criou algumas ocasiões. À passagem da meia hora, os vila-realenses vão mesmo inaugurar o marcador, através de um lance um pouco confuso na área. Há um pontapé de canto, muitos ressaltos de bola, até que aparece Abreu a rematar para o fundo das redes, inaugurando o marcador em Lagoa. A perder, o Operário tentou aumentar a velocidade no seu jogo, mas sentiu muitas dificuldades em explanar o seu futebol. Já em cima do minuto 45, Evandro não conseguiu fazer o desvio, na sequência do primeiro pontapé de canto para os da casa.

Ao intervalo, a vantagem mínima assentava bem aos pupilos de Abel Ferreira, que souberam aproveitar bem uma boa situação de bola parada.

Para a segunda metade, os dois técnicos apostaram nos mesmos atletas que começaram a partida. Como lhe competia, o Operário começou a impor outras dificuldades aos forasteiros e fruto dessa maior pressão, Dani vai fazer o empate aos 54’. Depois de uma série de pontapés de canto, a bola é levantada para a área, e no meio da confusão, Dani atira para a baliza e faz a igualdade. Os vila-realenses ainda protestaram com o árbitro, que validou o golo e ainda mostrou o cartão amarelo a Azevedo pelos protestos. Os visitantes sentiram em demasia este golo e tiveram algumas dificuldades em voltar a organizar o seu jogo. Aos 67’, um rude golpe nas aspirações alvinegras, com o árbitro a assinalar grande penalidade por suposta mão de Fred Coelho na área. Chamado à conversão, Evandro não falhou e deu assim a volta ao marcador. Em desvantagem, o técnico Abel Ferreira coloca as poucas soluções que tinha no banco em campo na procura do golo do empate. No entanto, numa altura em que a equipa estava totalmente balanceada no ataque, os açorianos vão “matar” o jogo, através de um lance muito rápido de contra-ataque, com Evandro a colocar em Dani que não teve dificuldade em bater Marcelo e bisar na partida. Até ao final, o Vila Real ainda tentou reagir, mas as forças já não eram muitas e a motivação também já faltava. No entanto, há que sublinhar a atitude guerreira dos transmontanos, que não viraram a cara à luta. Valeu pela atitude, faltou apenas o resultado e um árbitro mais competente.

Já no domingo arranca o campeonato, com o Vila Real a receber a visita do Vila Meã, no Monte da Forca, às 17h00.

 

As reações dos treinadores

 

Abel Ferreira, treinador do Vila Real

“A Federação não tem respeito pelas equipas mais pequenas”

Em declarações à Radio Voz do Marão, o técnico vila-realense teceu duras críticas à FPF e quanto ao jogo sublinhou a passividade da equipa de arbitragem, que permitiu tudo ao Operário.

“Foi muito complicado jogar nestas condições. Depois de uma viagem muito cansativa, apanhamos um sintético que já não se usa, tivemos uma equipa muito agressiva pela frente, com o árbitro muito passivo, a permitir tudo aos jogadores açorianos. Não quero com isto justificar a derrota, mas era difícil fazer melhor do que aquilo que fizemos. Houve fatores que contribuíram para não sermos iguais a nós próprios, frente a uma equipa boa e com tradição, que ainda teve todas as benesses da equipa de arbitragem. Os jogadores açorianos saltavam, pulavam, agrediam e o árbitro nada assinalava, se fosse ao contrário, aí já via tudo. Há uma série de lances irregulares que o árbitro deixou passar em claro e em que beneficiou o Operário”.

O técnico mostrou-se desagradado com a forma como são organizados estes jogos da Taça. “A Federação não tem respeito pelas equipas mais pequenas, não teve respeito pelo Vila Real e por outras equipas que vieram aqui à ilha, em que tivemos de fazer um dia inteiro de viagem (Lisboa-Açores) e ainda fomos obrigados a jogar às 10 horas da manhã, com apenas 6 horas de descanso. Apesar de tudo isto, só posso estar satisfeito com a entrega dos jogadores, pela vontade e qualidade de jogo que apresentaram. Não mostramos mais capacidade ofensiva devido ao calor insuportável e à humidade que se fez sentir, e nós não estamos habituados a este tempo”.

Agora, as atenções estão totalmente focadas no campeonato, onde o Vila Real irá lutar por um lugar de acesso à segunda divisão nacional. Abel Ferreira aproveitou a oportunidade para apelar aos sócios e adeptos do Vila Real para não deixarem de apoiar a equipa já no próximo jogo no Monte da Forca, no primeiro jogo do campeonato frente ao Vila Meã.

 

Francisco Aragão, treinador do Operário

“O Vila Real lutou, mas sucumbiu perante a superioridade do Operário”

Também em declarações à Voz do Marão, o técnico local sublinhou que o Vila Real foi incapaz de suster a superioridade da sua equipa, nomeadamente na segunda parte.

“Sabíamos que o Vila Real tinha uma equipa experiente, com bons princípios de jogo e durante a primeira parte soube equilibrar as operações e até chegar à vantagem, depois de um erro da minha equipa. No entanto, a segunda metade foi totalmente nossa, em termos de qualidade de jogo e avalanche ofensiva, onde concretizamos três golos. O Vila Real continuou a lutar, com muita força de vontade, mas perante a superioridade do Operário acabou por sucumbir valorosamente”.

No futuro, o técnico espera ter um campeonato sem grandes tormentos. “Acho que estamos a construir uma equipa consistente e com esta remodelação (muita juventude), espero fazer uma época sem grandes sobressaltos. Claro que o Operário precisa de tempo para integrar bem os jovens que chegaram agora ao plantel, de forma a adquirir os novos processos e ganhar experiência na segunda divisão, onde nunca competiram. Com aquilo que mostramos hoje e com a qualidade individual que temos, acredito que vamos fazer um campeonato tranquilo”.

 

Ficha Técnica

 

Jogo disputado no Campo João Gualberto Borges Arruda, em Lagoa (S. Miguel), Açores.

Árbitro: Quitério Almeida (A.F. Lisboa).

OPERÁRIO – Vítor Vieira, Nelo, Pedro Tavares, Diallo, Lino, Carlos Mota, João Peixoto, Dani, Hélder Arruda (Tó Miguel, 72’), Evandro, Eddy (Bruno Ribeiro, 90’).

Treinador: Francisco Agatão.

VILA REAL – Marcelo Torres, Abreu (Dioguinho, 78’), Nuno Fredy, Fred Coelho, Peixoto, Ernesto, Schuster (Diogo, 60’), Castanha, André Azevedo, Ivo Calado (João Mário, 71’), Nuno Meia.

Treinador: Abel Ferreira.

Ao intervalo: 0 – 1

Cartões amarelos: Castanha (28’), André Azevedo (55’), Fred Coelho (67’), Peixoto (73’), João Mário (79’), Lino (87’).

Marcadores: Abreu (30’), Dani (54’ e 85’), Evandro (67’ g.p.).

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