Vila RealVila Real quase isolada por forte nevão

Vila Real quase isolada por forte nevão

A queda intensa de neve provocou na região transmontana um autêntico caos nas comunicações rodoviárias. A intempérie deixou estradas cortadas, aldeias isoladas, carros bloqueados e deu muito que fazer à GNR, Bombeiros, PSP, Protecção Civil e autarquias. Apesar deste cenário não há vítimas a lamentar, embora se tenham registado muitos despistes.

Há muito tempo que não nevava tanto nos Distritos de Vila Real e Bragança. Em algumas aldeias do concelho de Boticas a neve chegou a ultrapassar mais de um metro. Também em alguns locais dos concelhos de Montalegre, Mondim de Basto, Vila Pouca de Aguiar, Chaves, Valpaços e Vila Real foram registas precipitações invulgares de neve. Os pontos mais críticos foram a A7 entre Vila Pouca de Aguiar e Fafe. O IP4, no Alto de Espinho e próximo de Bragança, as estradas nacionais e secundárias do Alto Tâmega e Barroso e a ligação entre Régua e Amarante por Quintela. A A24 esteve também cortada, mas o pior aconteceu no lanço entre Lamego e Viseu.

No planalto do Alvão, a aldeia de Lamas de Olo ficou isolada por algumas horas. Os acessos por Borbela e pela zona de Mondim de Basto estiveram cortados, devido à neve e ao gelo que se formou na estrada, o mesmo acontecendo na ligação Campeã – Mondim de Basto onde o despiste do um pesado provocou o constrangimento no tráfego rodoviário.

A 5.ª Companhia do GIPS da GNR, constituída pelo Centro de Meios Aéreos de Vidago e de Ribeira de Pena, esteve empenhada desde o princípio da noite de sexta-feira até domingo na remoção de viaturas. Os momentos mais críticos ocorreram durante a madrugada do dia 29, na A24 onde dezenas viaturas ligeiras e pesadas ficaram isoladas, devido ao forte nevão que ocorreu durante algumas horas.

O GIPS mobilizou imediatamente uma Secção de Primeira Intervenção constituída por 8 militares, apoiados por 2 viaturas de intervenção. Esta incidiu principalmente na A24 (zona de Vila Pouca de Aguiar) e na A7. Durante a manhã, foram enviadas duas Equipas de Primeira Intervenção para a zona de Cerva e Ribeira de Pena/A7 e ainda, uma Equipa de Primeira Intervenção para o concelho de Montalegre.

Uma situação que complicou a vida a quem precisava de socorro foi a alteração do número telefónico da Brigada de Trânsito da GNR de Vila Real. Na lista ainda vigora o antigo e induziu em erro muitos automobilistas que precisavam de obter informações sobre a circulação. Segundo uma fonte da GNR esta é uma situação alheia à forma militar. “A indicação da alteração compete a Portugal Telecom”.

As três rádios da cidade tiveram problemas na emissão. A queda de um poste interrompeu o fornecimento de energia aos equipamentos da Rádio Universidade, Voz do Marão e Rádio Clube. Os retransmissores situados no Marão da TVI, SIC e RTP tiveram também problemas e a emissão, em sinal aberto, foi interrompida algumas vezes. Descontentamentos também existiram por parte daqueles que ficaram bloqueados, algumas horas nas várias estradas, e que apontaram críticas à demora e eficácia dos meios de socorro, disponibilizados principalmente pelas concessionárias das auto-estradas.

Os Bombeiros da Cruz Branca não tiveram mãos a medir para acorrer as numerosas solicitações no IP4, na EN 15 e mesmo a alguns acessos florestais. O seu comandante, Álvaro Ribeiro, adiantou ao Nosso Jornal, alguns números que elucidam o trabalho desenvolvido no terreno. “No dia 28 percorremos 182 km em acções de reboque e desempanagem. No sábado, em acções de socorro tivemos de andar 744 km, e às 18h00 tínhamos, no Alto de Espinho, 48 camiões articulados impedidos de circular e tivemos que proceder ao seu reboque. No domingo, tudo ficou mais calmo. Mesmo assim, as nossas viaturas percorreram 200 km. Ao todo, a Cruz Branca, nesta grande operação de socorro, mobilizou 48 homens e 22 viaturas. Dado o grande número de viaturas bloqueadas pela neve, houve ainda a ajuda vinda dos Bombeiros de Sabrosa, Pinhão, Alijó, Fontes e Cruz Verde que enviaram veículos específicos para estas acções de socorro. Álvaro Ribeiro frisou, ainda, que “o IP4 deveria ser fechado ao trânsito logo que existissem indicações das intempéries e não abrir esporadicamente, como aconteceu”. “É muito complicado trabalhar assim. Dificulta sempre a nossa tarefa de socorro, que encontra muitos obstáculos para chegar aos locais”. Por fim, deixou também uma observação aos mirones da neve. “Houve alguns condutores com viaturas 4×4 que tiveram de ser socorridos na EN 15 e em algumas estradas florestais. Isto faz dispersar meios sabendo-se que as nossas prioridades, na altura, eram o IP4. Por tal, era bom que os mesmos condutores não se aventurassem e soubessem que os seus carros também têm limites”.

Os Bombeiros da Cruz Verde andaram também muito atarefados em missões de socorro. O comandante, Fernando Mota, disse, ao Nosso Jornal, que mobilizaram para o terreno sete carros e quarenta homens. “Auxiliamos os bombeiros da Cruz Branca na zona do Marão e estivemos atentos também ao IP4, no Alto de Justes. Foram dias que nos deram muito trabalho, principalmente os curiosos que se aventuravam e depois não puderam circular”.

A previsão meteorológica para o resto da semana aponta períodos de chuva e aguaceiros que poderão ser de neve nos pontos mais elevados do Marão e Alvão.

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