Está a funcionar desde o dia 19 o Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII) de Vila Real, um espaço que surge de uma parceria única a nível nacional entre uma delegação local da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e o Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural (ACIDI).
Segundo Elisa Brites, responsável pela APAV em Vila Real, o CLAII “é um espaço de acolhimento, informação e apoio descentralizado que visa ajudar a responder às questões e problemas que se colocam aos imigrantes”.
“Hoje os CLAII’s são muito mais do que centros de informação, são efectivamente centros de integração”, sublinhou Rosário Farmhouse, Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, contabilizando que o centro vila-realense é o 81.º a ser inaugurado em Portugal.
Confrontada com o facto de já ter existido na capital transmontana um CLAII, que terá encerrado devido à baixa procura dos imigrantes, a mesma responsável explica que os primeiros Centros de Apoio, criados através de parcerias com a Igreja Católica, em 2003, constituíram- -se como uma rede dinâmica, com alguns a encerrarem devido à falta de procura motivada por diversos factores. No entanto, a mesma responsável sublinhou que um dos “princípios chaves para o sucesso da integração dos imigrantes é a proximidade”. “É essencial ter conhecimentos no terreno para poder antecipar problemas, adequar respostas e estabelecer novas políticas”, considerou Rosário Farmhouse.
Com uma equipa multidisciplinar e um técnico a trabalhar a tempo inteiro, o CLAII de Vila Real funciona entre as 10h e as 12h e as 14h e as 17h, podendo os imigrantes encontrar ali respostas aos seus problemas ou direccionamento adequado para outras instituições. Mais, segundo Elisa Brites, o centro está já a fazer um levantamento das necessidades que possam existir no distrito, fazendo um retrato sobre quem são os imigrantes e como pode ser feita a sua integração.
Com 15 gabinetes espalhados por todo o país, esta é a primeira delegação da APAV a assumir a Parceria com o ADICI, no entanto, como explicou João Lázaro, presidente da associação, já existe uma Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Descriminação Racial ou Étnica, em Lisboa, e ao longo dos últimos anos a APAV tem vindo a trabalhar na área do apoio à integração.
“Queremos que eles se sintam em casa” revelou Elisa Brites, uma postura que faz jus à hospitalidade dos portugueses, que, como adiantou Carlos Miranda, representante do Governo Civil de Vila Real, já foi mesmo reconhecida num estudo de uma universidade britânica que aponta o nosso país, como o segundo da Europa no acolhimento aos seus imigrantes.
Até o final do mês de Outubro, os CLAII’s existentes em Portugal registaram 42 mil atendimentos, sendo que a maior parte dos imigrantes que recorreram aos serviços eram provenientes do Brasil, Cabo Verde, Angola, Ucrânia e Guiné-Bissau, e a principal motivação a ajuda à legalização ou à obtenção de emprego.
Segundo a Comissária, uma das maiores dificuldades dos imigrantes é a “contra-informação”. Algumas pessoas “aproveitam-se da ingenuidade e do desconhecimento dos imigrantes para passarem informações que não são verdadeiras”, lamentou.





