Valeu a argúcia e a sua paixão pela arqueologia, para Mário Tavares, após mês e meio de escavações, “a solo”, trazer à luz do dia, no lugar do Cabeço, em Sanfins, os primeiros testemunhos de uma povoação romana, cuja idade ainda não está devidamente calculada.
Vestígios de uma povoação romana foram encontrados, num local ermo, em Sanfins. Foi um segredo bem guardado, desde 2005, pelo investigador Mário Tavares, um homem de 56 anos, residente em Lebução, mas que agora o resolveu dar a conhecer.
A estrutura de uma possível “villa” romana viu a luz do dia graças a uma escavação levada a cabo por si e que durou cerca de mês e meio, num terreno do lugar do Cabeço, na freguesia de Sanfins.
“Podemos estar na presença de um dos achados arqueológicos mais importantes de Trás-os-Montes” – assegurou.
Tudo começou, quando, no terreno de uma vinha, começaram a aparecer telhas romanas (tegulas), restos de mós, pedras com inscrições e, até, moedas, as quais já foram parar às mãos de “uns indivíduos de Chaves”.
“Tendo conhecimento disto, lancei mãos à obra e, pouco a pouco, ao escavar, começaram a aparecer muros de habitações. Vi logo que, debaixo da terra, existe um património arqueológico de elevado valor”.
Tanto assim é que, segundo o investigador, “técnicos do então IPPAR tentaram intrometer-se e proibir-me de continuar com as escavações”, clarificando: “Fui eu que descobri, o espaço é privado, tinha autorização do proprietário do terreno em fazer as escavações e não tinham nada que intrometer-se” – disse, para acrescentar: “Nunca disse a ninguém, apenas troquei algumas opiniões com arqueólogos da região e que me afiançaram da autenticidade da descoberta”.
Segundo Mário Tavares, os testemunhos agora encontrados ficam muito próximos do local de um achado valiosíssimo, o Tesouro de Lebução, neste momento num Museu de Guimarães. Trata-se de um espólio da Idade do Bronze, constituído por pulseiras e torques de ouro batido.
“Espero, agora, que as instituições promovam um levantamento do local, pois, dada a dimensão da área de prospecção, não posso, sozinho, levar a cabo este trabalho”.
Jmcardoso




