Os empresários vila-realenses devem conhecer melhor o mercado internacional e “aventurar-se mais”, para fazer com que a qualidade dos seus produtos vá além fronteiras. Exactamente para identificar o cenário actual das exportações, no distrito, o Nervir desenvolveu um estudo que, além de identificar os sectores dos vinhos e das pedras ornamentais, como principais exportadores, pretende ser o “pontapé de saída” para um projecto mais amplo de sensibilização, para o comércio internacional.
Identificar as principais exportadoras do distrito e sublinhar as dificuldades e os desafios da internacionalização dos produtos vila-realenses para, consequentemente, estimular outras empresas a levar ao resto do mundo os seus produtos foi o objectivo da Nervir, ao desenvolver o estudo “Exportação no Distrito de Vila Real – Cenário Actual e Potencial de Desenvolvimento”, apresentado no dia 27.
Contando com uma adesão pouco simpática por parte dos empresários, cerca de duas dezenas, a Nervir apresentou o estudo que indica que os sectores que mais exportam, no distrito de Vila Real, são o dos vinhos e o das rochas ornamentais.
No entanto, como explicou João Amaro, da equipa técnica da Soprofor-Regiões, entidade executora do estudo, o principal objectivo da iniciativa não foi fazer uma “fotografia, estatisticamente, do distrito, mas, sim, identificar e falar com organizações exportadoras”, analisando a situação actual e a própria atitude comercial das empresas, de forma a “definir pontos forte e fracos, oportunidades e ameaças”.
O passo seguinte passa pela “dinamização de um conjunto de acções de estímulo ao aumento” das exportações, explicou o mesmo responsável.
Assim, os maiores entraves referidos pelas empresas envolvidas no estudo, cerca de 70, foram a “burocracia” e as “dificuldades em obter informações fidedignas sobre os potenciais clientes, nos mercados internacionais”.
João Amaro revelou, ainda, outras fragilidades internas do mundo empresarial vila-realense, quando se fala de exportação, nomeadamente a formação dos seus responsáveis, “não só no que concerne à língua, mas, também, no que diz respeito a outros aspectos culturais dos clientes” internacionais e, ainda, a falta de conhecimento sobre “a regulamentação e legislação associada ao processo de exportação”.
“Há outro aspecto que é muito referido por exemplo no sector dos vinhos, que é a logística de transporte. É um processo que não é fácil sobretudo para empresas de pequena dimensão”, explicou o mesmo responsável.
Como conselhos aos empresários, João Amaro sublinhou que o potencial de exportação da região deve ser “aproveitado e ampliado”, para dar resposta aos novos desafios competitivos, ao nível da Europa e do resto do Mundo, e que, para tal, as empresas deveriam “descobrir formas de partilhar custos, criar sinergia, para ter, em permanência, uma representação nos mercados potenciais”, aspecto sobre o qual “a Nervir poderá ter um papel importante”.
Manuel Coutinho, Presidente da Associação Empresarial vila- -realense, acredita que “ainda há muito trabalho a fazer”, para incentivar as empresas a apostar na exportação dos seus produtos. Por isso, a NERVIR anunciou já a criação um Gabinete Técnico para a Internacionalização que deverá funcionar em articulação com outras estruturas, nomeadamente a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as empresas dos concelhos da NUT III Douro (Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Penedono, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real) fizeram, no ano passado, exportações num volume de vendas na ordem dos 56,6 milhões de euros.
O grande “vencedor” foi o sector das “bebidas, líquidos alcoólicos e vinagre” que, representou 27,2 por cento do total de exportações, enquanto que, no segundo lugar do “top” das empresas mais exportadoras, estão as “obras de pedra, gesso e cimento”, com destaque para a extracção mineral e rochas orçamentais, representando 21,3 por cento das mercadorias exportadas.
Maria Meireles






