Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Viticultores protestam em defesa da Casa do Douro

Dezenas de viticultores reuniram-se ontem, em Peso da Régua, em protesto contra a decisão do governo de entregar a Casa do Douro (CD) à Federação Renovação Douro (FRD). Pedem, ao governo, mais respeito por quem criou a CD e pelos viticultores durienses, que simbolicamente fecharam a cadeado a entrada principal da instituição em protesto contra a decisão do Ministério da Agricultura.

-PUB-

Berta Santos, da Avidouro, reclama a anulação do despacho nº 5610/2015 do Ministério da Agricultura que “designou a Federação Renovação do Douro, que mais não é que a CAP, bem como os grandes interesses do comércio dos vinhos da região, como a entidade que vai suceder à atual Casa do Douro”.

De acordo com o governo, a associação que apresentou uma maior representatividade em termos de viticultores e de área de vinha explorada foi a FRD com 29,30 por cento. Esta organização vencedora vai poder usar a sede, bem como o nome CD, se assim o entender, e fica habilitada a participar no Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) no qual terá 60 por cento de representação mínima.

No protesto, os produtores reivindicaram mais benefício para a próxima vindima. “Queremos aumentar a quantidade máxima autorizada de vinho do Porto que pode ser produzido, bem como melhores preços pagos à produção para as suas uvas”.

A marcha de protesto teve início pelas 10h30 junto ao IVDP, onde entregaram um documento com as suas reivindicações, tendo seguindo depois até à sede da Casa do Douro, onde se ouviram palavras de ordem em defesa da lavoura duriense.

A Avidouro insiste ainda no “recuo no processo de alteração do estatuto da Casa do Douro, que a transformou numa mera associação de direito privado”.

Criada em 1932, a CD possui uma dívida ao Estado na ordem dos 160 milhões de euros. Para resolver o problema, o Governo preparou um plano que incluía um acordo de dação em cumprimento, de troca de dívida por vinho, e uma alteração legislativa que transformou o estatuto de direito público e inscrição obrigatória em associação de direito privado e de inscrição voluntária.

Tribunal aceita providência cautelar da Lavoura Duriense

Entretanto, o Tribunal Administrativo de Mirandela aceitou a providência cautelar interposta pela Associação da Lavoura Duriense (ALD) sobre a decisão do Governo de ter escolhido a Federação Renovação Douro para liderar a Casa do Douro, enquanto associação privada.

Alexandre Ferreira, presidente da ALD, refere que os viticultores não se sentem representados pela outra associação, a quem o Estado entregou a Casa do Douro, porque representa apenas 16 por cento dos viticultores (cerca de 3800). Com esta providência cautelar, a ALD pede justiça, uma vez que representa 14 mil viticultores e os seus interesses devem ser defendidos. “Reclamamos porque não aceitamos esta decisão do júri, que não tem de afirmar quantos associados representamos. Isto está a tornar-se um processo rocambolesco e, efetivamente, sou o presidente da maior associação de viticultores do Douro, que têm de se sentir representados”.

Ao avançar para o tribunal, Alexandre Ferreira espera que a escolha do júri seja revogada e que a Casa do Douro venha para a mãos da “maior associação de viticultores durienses”. Além disso, destaca como sinal positivo o facto de o tribunal ter aceitado a providência cautelar. “Estamos no bom caminho, pois a representação do Douro não deve ficar ao livre arbítrio de três ou quatro amigos que não sei como fazem as contas”, sustenta o presidente da ALD.

A ALD considera que todo este processo está mal conduzido desde o início e que a voz dos viticultores deveria ser ouvida, o que não aconteceu até agora.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

COMENTAR FACEBOOK

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.