A aldeia de Soutelo foi, ao longo de vários anos, conhecida como “terra das tecedeiras”. Nos teares, feitos de castanheiro, as mulheres usavam algodão, lã e linho para fazer peças que marcaram uma geração. Hoje, quase todos os teares repousam em silêncio, mas as memórias permanecem vivas nos tecidos que ainda hoje as famílias preservam.
Maria Teresa Morais, conhecida por “Bia”, é uma das poucas mulheres que ainda usa o tear herdado da família. Aprendeu a tecer em criança, ao lado da mãe e das tias, todas elas tecedeiras. “Tecíamos cobertores, liteiros, toalhas, lençóis. Era tudo no tear”, recorda. O trabalho, embora artesanal, tinha peso económico, logo, muitas famílias viviam exclusivamente das mantas que produziam. O marido, Jaime, lembra bem a azáfama da Feira dos Santos, em Chaves. “Carregavam os cobertores nos burritos. Vinha gente de muito longe só para comprar os cobertores de Soutelo.”
A lã chegava em sacos trazidos à cabeça pelas freguesas das aldeias vizinhas. Era lavada, escaldada, cardada e fiada antes de chegar ao tear. As mantas resultantes, densas e pesadas, eram essenciais numa época em que as casas não tinham aquecimento. “Aquilo era como um forno”, comenta Celeste Morais, outra das antigas tecedeiras.
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