Quando em 1981 fui chamado ao episcopado, era costume escolher uma frase bíblica que, à maneira de slogan, resumisse o ideal ou sensibilidade pastoral do novo bispo. Escolhi o texto do evangelista S. João constante do discurso sobre o «Bom Pastor» – Ut vitam habeant (Para que tenham vida). A leitura prioritária desse texto centrava-se na assunção da fé cristã como uma vida alimentada pela catequese, pela frequência dos sacramentos, pelo empenho nas obras de apostolado. Algo, porém, me fazia sentir que andava no ar uma ameaça à vida humana, ameaça que não vinha da queda de aviões nem do naufrágio de navios nem de abalos sísmicos, mas de zonas silenciosas, de pesquisas científicas que
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