Escrevi, em 2002, um conto a que apelidei de Fome, – integrado no meu livro Meiga, Contos Serranos – que começava assim:
“Dizem que é negra. Sinceramente, nunca lhe vi a cor, mas acredito no matiz com que a pintam. Adivinho-a desesperada, e então, se convive paredes-meias com a fartura, será também revoltante.
…Acertou o povo ao pintá-la com a cor das sombras, da noite, do luto. Por isso a chamam de negra”.
Esta besta, que tolhe os estômagos, mirra o corpo e enevoa o raciocínio, está de volta. A bem dizer, nunca ela abandonou o planeta mas, para descanso das nossas consciências bem alimentadas, era moléstia que andava longe das nossas portas, lá para as bandas de
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