No dia 15 de Agosto de 1988, Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, o Santo Padre João Paulo II assinou a Carta Apostólica Mulieris dignitatem, o primeiro documento pontifício totalmente dedicado à Mulher. Estamos, portanto, a festejar os 20 anos desse acontecimento.
Numa altura em que a Mulher é, em muitos lugares e situações, subalternizada e pior que isso explorada, faz bem pensar na sua dignidade intrínseca. Mulher e Homem são iguais em dignidade e direitos, mas com diferenças originais e complementares.
Mas falemos da Mulher. Ela hoje em dia adquiriu um estatuto de autonomia económica e social que nem sempre é bem aproveitado. Em muitos casos o seu sucesso económico tira-lhe o desejo de ter uma família mais numerosa que viria atrapalhar os projectos profissionais e a permissividade reinante na nossa sociedade tira-lhe, por culpa própria, o respeito que lhe seria devido. A Mulher é usada como “isco” na publicidade e por dinheiro e falta de pudor sujeita-se a situações vergonhosas.
A Maternidade tem sido ridicularizada, apesar de Katherine Ellison ter afirmado no seu livro “Inteligência de mãe”, que a Maternidade torna as mulheres mais espertas. Confrontada com uma pergunta: “Acha que muitas mulheres vêem nos filhos um travão à carreira profissional?”, respondeu: “Tenho esperança que as mães e os pais pressionarão os empresários para conseguir empregos mais flexíveis, e os empresários hão-de compreender que para conservar os melhores empregados, terão de oferecer flexibilidade”.
E que dizer do papel da Mulher na vida pública e na política? Respondo com palavras de S. Josemaria Escrivá, no seu livro: “Temas actuais do cristianismo” – nº 90: “(…) A mulher pode enriquecer muito a vida da sociedade em virtude dos dotes naturais que lhe são próprios. Isto salta à vista quando reparamos no vasto campo da legislação familiar e social. As qualidades femininas darão melhor garantia de que serão respeitados os autênticos valores humanos e cristãos no momento de tomar decisões que afectam de alguma maneira a vida da família, o ambiente educativo, o futuro dos jovens”.
Quero terminar com umas palavras que, na edição que possuo da Carta Apostólica, Mulieris dignitatem, vêm no fim da assinatura do Santo Padre: “Mulher, se conhecesses o dom de Deus… dar-Lhe-ias graças pela grandeza das suas obras admiráveis para contigo.
Meditando no mistério bíblico da «mulher», a Igreja reza, a fim de que neste mistério todas as mulheres se encontrem a si mesmas e descubram a sua «suprema vocação».
Então, a salvação do mundo estará assegurada”.
Esta é a nossa Esperança.


