IgrejaA instituição da eucaristia e do sacerdócio ministerial

A instituição da eucaristia e do sacerdócio ministerial

Hoje é Quinta-feira Santa, e nela se comemora a Ceia do Senhor. Com este evento tem início o Tríduo Pascal que terminará nas vésperas do domingo da Ressurreição.

O Senhor tinha dito que ansiava comer essa Páscoa com os seus Discípulos e então encarregou dois deles de procurarem um lugar onde celebrar a Ceia. S. Marcos descreve com pormenor o lugar da Ceia, dizendo que era uma sala grande e bem mobilada. Uma antiga tradição cristã afirma que a casa do Cenáculo era propriedade de Maria, mãe de Marcos.

Chegada a noite, veio com as doze e Jesus anunciou a traição de que ia ser objeto: “Em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar; um que está a comer comigo”(Mc 14, 18).

Então, durante a Ceia, tomou um pão. Pronunciou a fórmula da bênção, partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: “Tomai; isto é o Meu corpo”. Tomou depois o cálice, deu graças e passou–lho, e todos beberam dele. E disse-lhes: “Isto é o Meu sangue do Testamento, derramado por muitos”(Mc 14, 22-23-24).

Gostava de me referir a algo que li no livro de Joseph Ratzinger – Bento XVI, no Volume II de JESUS DE NAZARÉ: No momento da consagração do vinho, Marcos refere – “Isto é o Meu Sangue”; Lucas diz –“ Esta é Nova Aliança no meu Sangue”. Muitos veem aqui uma deferência para com os judeus, sabendo-se da sua repulsa quanto à ingestão de sangue: como conteúdo direto da bebida não se indica «sangue», mas a «Nova Aliança».

Sabemos pois pela fé que depois deste ato de Jesus o pão deixa de ser pão, o vinho deixa de ser vinho, e temos presente: o Corpo, Sangue e Alma de Jesus tão real e perfeitamente como no Céu, sob as aparências do pão e do vinho: o pão e o vinho não perdem a sua cor, cheiro ou paladar, mas já o não são substancialmente. O Senhor fez o que chamamos Transubstanciação.

O Senhor ia partir, mas como todo o coração que ama gostava de ficar com os amigos. São Josemaria Escrivá, escreve no seu livro CRISTO QUE PASSA: “Lembremo-nos da experiência tão humana da despedida de duas pessoas amigas. Desejariam ficar sempre juntas, mas o dever – seja qual for – obriga-as a afastar-se uma da outra. (…) As pessoas que se despedem trocam lembranças entre si. (…) Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo”.

Mas o Senhor quer perpetuar este milagre a assim, depois da Transubstanciação acrescenta: “Fazei isto em minha memória” e assim institui o Sacerdócio ministerial: aqueles que receberem o Sacramento da Ordem, ao celebrar e no momento da Consagração atuam: “na Pessoa de Cristo”.

É esta transmissão de poderes que faz com que a Igreja seja «apostólica», não porque faz apostolado (se bem que o faça), mas aqui com o significado que o seu poder deriva do poder dado por Jesus aos Apóstolos.

Em cada Sacrário temos sempre Deus presente. Conta-se que Santa Teresa de Jesus, quando ouvia algumas pessoas “piedosas” dizerem: que bom seria viver no tempo de Jesus, para poder visitá-Lo, ria-se à socapa, dizendo: se assim fosse quantos não podiam ir a Israel para O ver; para nós, basta ir a uma igreja onde Jesus esteja no Sacrário, para poder visitá-Lo, falar com Ele e até recebê-Lo como alimento.

Queria só fazer um acrescento. Todos os batizados, recebem o sacerdócio comum, que difere do Sacerdócio ministerial, não em grau, mas em essência. Na Constituição Apostólica Lúmen Gentium, nº 10, podemos ler: “Os batizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias de um cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cfr. 1 Ped. 2, 4-10).

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