A justiça para Sócrates e a esperança em Obama

1. Sócrates: um caso da justiça Imagino que o Primeiro-ministro José Sócrates está a passar por um momento difícil. Toda esta confusão à volta do caso “Freeport” não pode deixar de o incomodar. Trata-se de um caso claramente empolado a que se está a dar uma dimensão de assunto de Estado, o que não faz qualquer sentido. Devo dizer, desde já, que acredito em José Sócrates e na sua total e completa inocência. Refiro-me, como é óbvio, à questão da corrupção, ou seja que Sócrates, enquanto Ministro do Ambiente teria recebido dinheiro ou outro tipo de gratificação para resolver o processo. Não acredito minimamente nessa hipótese e julgo, por isso, que Sócrates está a ser vítima de uma cabala. A imprensa é terrível quando se une para tentar destruir uma pessoa.

Começa por insinuar ou recorrer à velha fórmula das fontes “anónimas”, depois investiga familiares e amigos, casas, carros, falhas ou erros profissionais, envolvimento em casos amorosos, lança suspeitas sobre delitos fiscais, “descobre” incumprimento de leis e se, for necessário, termina-se com a história clínica do visado, as suas doenças, os tratamentos que fez, tudo, acabando com a condenação pública, sem qualquer investigação ou processo judicial! Nalguns casos, vale tudo a coberto do “jornalismo de investigação” e da “descoberta da verdade”! Nem se cuida de saber quais as consequências para o país, que a atravessar uma gravíssima crise económica, terá que se concentrar nesse problema, para o que é necessário um governo forte e determinado. Claro,

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