Sábado, 17 de Janeiro de 2026
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Em Foco"A regionalização é o garante da coesão territorial e do desenvolvimento do país"

“A regionalização é o garante da coesão territorial e do desenvolvimento do país”

Entrevista ao cabeça de lista do Livre | Luís Ramalho | Professor Universitário | 30 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito? 

O LIVRE defende um SNS público, universal, gratuito e acessível, considerando a saúde um direito fundamental e o SNS um pilar do Estado Social. O SNS não pode estar sujeito à instabilidade provocada pelo governo da AD, com sucessivas mudanças na direção executiva e administrações hospitalares, nem à privatização do SNS pelas parcerias público-privadas de Unidades Locais de Saúde. 

A regionalização é o garante da coesão territorial e do desenvolvimento do país, por isso, o LIVRE defende a realização do referendo. Propomos também a descentralização do Estado e a garantia do acesso fácil a serviços em todo o país, mesmo nos territórios de baixa densidade, garantindo o princípio da continuidade territorial, reforçando os serviços essenciais de proximidade, por exemplo de educação, habitação, saúde ou mobilidade. 

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. O que se pode fazer para combater este flagelo? 

O LIVRE propõe medidas de discriminação positiva para fixar e capacitar a população no interior, com incentivos alargados, em especial para os jovens. Defendemos a valorização das instituições de Ensino Superior locais para reter estudantes e o alargamento dos incentivos à empregabilidade para contrariar o êxodo para as cidades. Propomos a majoração do valor dos estágios profissionais do IEFP em territórios de baixa densidade e o estudo do Rendimento Básico Incondicional para agricultores com pequenas explorações e residentes no interior do país, promovendo a sua fixação e a autonomia alimentar nacional. 

Como atrair investimento para a região? 

O LIVRE defende o reforço dos incentivos e programas para atrair investimento para os territórios de baixa densidade e apresenta um conjunto de medidas para estimular as economias regionais e locais. Propomos o fomento de mercados e redes de produção e consumo local, a promoção do associativismo e da cooperação entre produtores e políticas de compras públicas locais, privilegiando ofertas ecológicas e de qualidade alimentar. Para potenciar as sinergias entre empresas, instituições públicas e sociedade civil, consideramos relevante a interligação de plataformas logísticas e parques empresariais com as redes ferroviária e rodoviária, bem como estabelecer ligações de transporte público com os principais aglomerados populacionais da região. 

Nos últimos tempos tem-se visto que a linha aérea tem uma grande importância para a região. Como impedir que esteja tantas vezes suspensa? 

Com um novo contrato de concessão da ligação aérea Bragança-Portimão continuam a verificar-se suspensões sucessivas do serviço. Os contratos de concessão devem ser monitorizados, acompanhados e cumpridos pelos operadores, mas também pelo Governo, que nesta situação deve ser mais interventivo, promovendo soluções para o cumprimento dos pagamentos e resolução de dívidas, promovendo a qualidade da prestação do serviço de transporte aéreo. Contudo, o LIVRE defende uma solução mais estrutural com reforço da ferrovia e a construção de novas linhas para garantir a ligação a todas as capitais de distrito que ainda não têm acessibilidade por comboio, como é o caso de Vila Real. 

Deu entrada no Parlamento uma petição a favor da reabertura da Linha do Corgo. Acredita que o troço poderá reabrir? Se sim, de que forma e que mais-valias terá?

O LIVRE defende a ligação ferroviária a todas as capitais de distrito e a reabertura da Linha do Corgo, medida essencial para fixar população no interior e reduzir a dependência do transporte individual. Medidas que incentivam o transporte coletivo melhoram a qualidade de vida, reduzem o trânsito e melhoram a qualidade do ar nas cidades. 

A reabertura da linha do Corgo, com um troço moderno que permitisse viagens rápidas e cómodas, aliada ao Passe Ferroviário Verde, outra medida do LIVRE, permitiria viagens de comboio por apenas 20€ mensais. Mas o nosso objetivo é ir mais além e criar um Passe de Mobilidade Nacional, integrando comboios e autocarros, ou até mesmo táxis em territórios de pouca densidade populacional, promovendo uma mobilidade acessível e sustentável em todo o país.

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