Trata-se de uma verdade ou realidade humana, quer se queira ou não, quer se lhe dê importância quer não, quer se acredite ou não.
A sabedoria do povo que tanto gosto de citar costuma expressar-se desta maneira: “Quando o Criador fez aparecer o sol, criou-o para todos”; e, também: “quando chove, é para todos”.
Quando se lê a Bíblia (e não é necessária toda), serão necessários os primeiros capítulos, à nossa maneira, de uma forma simples, popularmente, sem grandes conhecimentos e aprofundamentos teológicos, sem preconceitos cinzentos. Conclui-se, além de outros temas, que a Bondade Divina, ao criar o mundo, teve a intenção legítima de que tudo o que nele existe ficasse ao serviço de todo o ser humano, “criado à Sua imagem e semelhança”.
E consta da história dos princípios do Cristianismo que assim eram interpretados, reunindo-se nas catacumbas e nos descampados, pondo tudo em comum, com muita alegria. Comiam e do que sobrava entregavam aos mais pobres, ainda pagãos.
A doutrina social da Igreja – que convém ler, até por uma questão de cultura geral, visto que a Igreja é uma instituição existencial e universal (“o saber não ocupa lugar”), desde Pio IX, com a encíclica “Rerum Novarum”, o Vaticano II, sobretudo com a “Gaudim et Spes” (Alegria e Esperança), a “Quadragesimo Anno”, de Pio XI, da “Mater et Magistra”, de J. Paulo II e de outros documentos da Santa Sé, com a sua autoridade moral e equilíbrio doutrinal que lhe são reconhecidos – afirma o mesmo. Isto é, que os bens do Universo pertencem a todos os seres humanos. E tem havido, ao longo dos tempos e da História, instituições e indivíduos que têm compreendido e praticado, deste modo, em extensão e profundidade, esta questão humana.
Para nós, os portugueses, recordemos alguns dos nomes mais evidentes dos nossos tempos e popularmente mais conhecidos: Santo António de Lisboa, a Rainha Santa Isabel (que transformou as rosas em pão), os popularíssimos Padre Cruz e Padre Américo, a jovem Sãozinha de Alenquer, as três princesas Teresa, Sancha e Mafalda e tantos outros.
Ponhamos a nossa consciência em dia, sem medos, nem temores. Portugal é o país europeu em que existem maiores desigualdades económico-sociais. Vou enumerar alguns, com todo o respeito, a partir dos nomes que as TVs enunciaram: Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, Manuel de Mello, Joe Berardo, D. Maria do Carmo (em 7.ª posição, entre “os cem mais ricos de Portugal”. A generosidade e altruísmo destas pessoas e destas riquezas davam para tornar, na qualidade e na quantidade, pelo menos, “cem ou mais pobres menos pobres”!
E se se organizassem e formassem, por exemplo Fundações “A Flor dos Pobres”? Quanta alegria espalhariam por Portugal! Quantos estômagos temperavam e, sobretudo, quantas consciências se sossegavam e quantos louvores dariam ao Criador, por tantos benefícios em favor do seu povo, através de irmãos seus que tinham plantado a bela flor do humanismo e da caridade dos seus corações!



