Um ano e meio depois de assumir funções como reitor, como está a saúde da UTAD?
O cenário de diminuição do financiamento público, de dependência de receitas próprias para assegurar o regular funcionamento, a necessidade de reordenamento da rede pública de ensino superior e as debilidades socioeconómicas do país que assumem maior preocupação nos territórios de baixa densidade, impuseram que a UTAD iniciasse um programa de ajustamento necessário para garantir a sua sustentabilidade e ganhar a confiança da sociedade e do país. Ao longo de 18 meses têm sido implementadas mudanças nas diversas áreas de intervenção da Universidade que apelam às especificidades e oportunidades da instituição, construindo uma estratégia assente na sua identidade. A resposta positiva da academia permitiu alcançar o equilíbrio financeiro em 2013, sendo expectável manter a mesma meta no Relatório e Contas do último ano.
Um dos projetos que lançou foi a reorganização das infraestruturas da academia, que contemplou a concentração dos estudantes na Quinta de Prados. Os alunos da Universidade já desocuparam o EX-DRM, o CIFOP e as instalações de Chaves, estando prevista ainda a deslocação da enfermagem para o Campus (para quando?). Qual é o ponto da situação?
A Universidade implementou um plano de ordenamento, numa lógica de concentração e proximidade, promovendo sinergias entre Escolas, Serviços e Unidades Especializadas. Esta estratégia tem permitido a melhoria da gestão das infraestruturas de apoio ao ensino e investigação, do funcionamento da atividade docente, bem como a redução dos custos de funcionamento com ganhos ao nível dos espaços letivos, laboratoriais e de atendimento. A transferência da Escola Superior de Enfermagem para o campus da UTAD está a ser equacionada, permitindo a concentração de toda a academia no mesmo espaço.
Em relação ao CIFOP, qual é o projeto específico para aquele edifício?
A relocalização de todos os serviços da UTAD no campus conduzirá a ganhos de eficiência e de eficácia, traduzindo-se a passagem do Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP) para os Serviços de Ação Social num aumento da capacidade de intervenção.
Já há destino para o edifício da Escola de Enfermagem?
O destino da Escola de Enfermagem será definido quando estiverem reunidas as condições para a Escola transitar para o campus.
Em relação ao polo de Chaves, recentemente houve notícias que referiram que os funcionários contestam a sua transferência para Vila Real. Qual é ponto da situação?
Em Chaves existia apenas um curso deslocalizado, cujos alunos transitaram para o campus. Neste contexto, foi proposto aos funcionários que desenvolviam a sua atividade em Chaves para assumirem funções no campus, processo que está em curso.
Muitas outras mudanças foram feitas e medidas adotadas na academia, para assegurar a sua estabilidade financeira. Esse objetivo está a ser conseguido?
Face ao cenário de crise económica global e as conhecidas condições rigorosas de financiamento oficial, a Universidade tem vindo a cumprir com sucesso um programa de ajustamento, que tem permitido o desejável equilíbrio financeiro. Este programa envolve a implementação de deliberações e recomendações de gestão, visando corrigir desequilíbrios orçamentais que persistiram durante diversos anos, a reforma da oferta educativa e consequente diminuição da carga letiva dos docentes, e o mencionado ordenamento de espaços visando a concentração de todos os departamentos no campus, que envolveu a mudança de mais de metade dos docentes.
Por outro lado, também os estudantes têm dado sinais de dificuldades económicas, o que em alguns casos leva mesmo ao abandono escolar… o que pode a UTAD fazer para garantir que situações dessas não aconteçam? O setor da ação social precisa de mais apoios por parte do Governo?
No último ano, a UTAD manteve o número de alunos inscritos no 1º ciclo e aumentou 10 por cento nos alunos de pós-graduação, mantendo-se o mesmo montante em termos de receita de propinas. Atendendo a que a maioria dos estudantes da UTAD são deslocados e à difícil conjuntura, a UTAD tem apostado no Fundo de Apoio Social visando apoiar financeiramente os alunos que, eonquanto estejam acima do limiar mínimo para beneficiar de apoio social, nomeadamente bolsa de estudo, têm um rendimento pessoal e/ou familiar demasiado escasso para lhes permitir o prosseguimento de estudos. Considero prioritário envolver o Governo no desenho de programas de ação contra o abandono escolar no ensino superior, em especial nas instituições mais periféricas, como é o caso da UTAD.
Recentemente foi assinado o protocolo de criação do consórcio entre as três universidades do Norte. Na prática que é que vai mudar na UTAD com essa cooperação?
A concertação estratégica entre as três instituições pode dar mais visibilidade em termos de promoção internacional, de mobilidade de estudantes e docentes, de ensino à distância, de investimento concertado em infraestruturas científicas de interesse comum e ainda de representação conjunta em redes transnacionais. Pode, adicionalmente, fomentar uma participação proativa na construção da estratégia de especialização inteligente da Região Norte. A congregação de meios humanos e materiais permitirá à UTAD responder a um novo quadro de oportunidades e conduzir a novas dinâmicas para competir no contexto internacional, da oferta educativa, da atração de estudantes estrangeiros ou de investimentos infraestruturais.
A aposta na internacionalização pode ser uma das áreas a sair beneficiada com esse ganho de escala?
A UNorte.pt vai permitir uma participação ativa de intervenção em processos de internacionalização, que se traduzam na atração e fixação de estudantes internacionais, bem como na valorização do conhecimento e de iniciativas de marketing do território.
Nesse projeto, fala-se também na poupança de fundos em termos de recursos. Como é que isso vai ser conseguido?
As dinâmicas que o consórcio vai gerar vão ter efeitos positivos nas Academias, decorrentes da partilha de serviços jurídicos, de estruturas especializadas destinadas a preparar candidaturas a programas nacionais e internacionais, entre outros aspetos.
Foi anunciado a gestão conjunta do “plafond” de vagas, embora as três Universidades vão continuar a ser concorrentes quanto à cativação de alunos.
O consórcio prevê a coordenação da oferta educativa, incluindo a gestão conjunta de vagas e cursos. Contudo, visa também a promoção dos cursos oferecidos, o desenvolvimento de cursos conjuntos e potenciar o desenvolvimento de cursos no estrangeiro, mantendo cada instituição a sua autonomia.
Em 2009, 18 entidades criaram a Rede Empreendouro. Hoje o projeto já conta com 30 instituições. Qual o balanço que se faz desta rede regional?
O papel da rede EmpreenDouro tem sido reconhecido na dinamização de uma nova atitude de empreendedorismo no Douro. Este impacto positivo tem permitido aumentar o número de entidades que se uniram em rede para provocar e apoiar a criação de iniciativas empreendedoras e inovadoras nesta região de potencialidades e oportunidades incontestáveis.
Quais as expectativas para o próximo ano letivo?
No próximo ano letivo, a UTAD pretende continuar a aumentar o número de estudantes, o que exige uma intervenção educativa potenciada nas suas diferentes áreas científicas. Para tal, devem ser explorados projetos de formação em regime presencial, novos formatos de ensino à distância e programas de aprendizagem ao longo da vida. A preparação de projetos educativos em áreas emergentes implica o reforço da oferta educativa em língua inglesa, o aumento da visibilidade da instituição, bem como as potencialidades que se abrem no quadro da UNorte.pt.
Com os cortes sucessivos das transferências do Orçamento de Estado para as Universidades, como pode a UTAD ambicionar um crescimento sustentável?
A redução do financiamento público das instituições de ensino superior na generalidade dos países europeus, acompanhada pela conhecida crise social, económica e financeira, exige que as Universidades apostem no aumento da receita. No entanto, importa manter o cumprimento disciplinado do programa de contenção da despesa iniciado em 2013. A sustentabilidade e o crescimento da UTAD implicam a aposta no aumento da receita, assente em estratégias diferenciadas e diversificadas de atração de fundos.
Prevê a possibilidade do aumento das propinas para fazer face a esses cortes?
O montante decorrente da atualização da propina no último ano foi destinado a apoiar o Fundo de Apoio Social. Considero que o aumento da receita em propinas passa por aumentar o número de alunos.
Quais os prós e contras de liderar uma Universidade localizada num interior que sofre com a desertificação, envelhecimento e abandono?
O esvaziamento demográfico irá continuar, caso não se considerem políticas ativas de fixação de população no próximo quadro comunitário, envolvendo a criação de empresas e de emprego nos territórios de baixa densidade. Contudo, temos a consciência que as instituições de ensino superior são âncoras de esperança para atrair e fixar jovens no território.



