A ligação ao Sport Clube da Régua começou ainda em criança, porque “vivia perto do campo e ia para lá ajudar a marcar o campo e a regá-lo. Além disso, ajudava a apanhar as bolas”, conta.
Foi a partir daí que nasceu o bichinho, sendo presença assídua no final dos jogos, para “jogar à bola com os amigos”.
Entretanto, “por volta dos meus nove anos, chamaram-me para jogar no Régua. Naquela altura, jogar ali era para os ricos e eu era pobre, vindo de uma família humilde. Ia tudo de mochilinha e eu de saco plástico”.
Desde então, não mais parou. Esteve no Régua até aos 29 anos e desses tempos recorda o golo que garantiu a subida do clube à antiga 3ª divisão nacional. “Foi um jogo com o Santa Marta. Só precisámos de empatar, mas estávamos a perder. Acabei por fazer o golo do empate e carimbar a subida”, lembra.
Mas até esse momento houve alguns altos e baixos, nomeadamente uma lesão, na qual quase ninguém acreditava. “Íamos jogar a Valpaços e eu tinha, na perna direita, um osso rachado. Queixava-me, mas diziam-me que era psicológico. Davam-se compridos e punham gelo para eu conseguir jogar. Não acreditavam, levaram-me a vários médicos e, no hospital da Régua, fizeram-me um raio-x. Quando viram, perguntaram-me como é que eu conseguia jogar naquele estado”.
De emblema reguense ao peito conta com títulos nos iniciados, juniores e seniores e na memória muitas lembranças. “Fiz muitas amizades no futebol. Nunca me dei mal com ninguém”, afirma, lembrando, também, as passagens pelo Atei, Mondinense, Tarouquense, Fontelas, Lamego e Lobrigos.
“No balneário, eu sempre fui muito brincalhão, fazia rir toda a gente. Ainda hoje sou assim”, frisa.
ATUALIDADE
Mais de 20 anos depois, o SC Régua regressou aos nacionais. Depois de uma época “brilhante”. Contudo, a participação no Campeonato de Portugal não está a correr da melhor forma.
“Acho que faltou um pouco de qualidade no arranque da época e falta de dinheiro para jogadores. Talvez tenha havido uma má gestão”, afirma, referindo que “acabámos por ficar com os jogadores que os outros clubes não queriam, mesmo sendo de empresários”.
Desta época lamenta o entra e sai de treinadores, esperando que “com o Viage seja diferente, até porque tem experiência de Liga 3”. Contudo, há coisas que não se controlam, como as arbitragens, com Abílio Barros a admitir que “olham para o último classificado com desdém”.
Ainda assim, não esconde que “o Régua, tal como o Vila Real e outras equipas da região, merece estar nos nacionais”.
“O Régua é um clube histórico e estar nos nacionais é bom para a cidade, para o negócio e para a região”, vinca Abílio Barros, que será, para sempre, um dos capitães do clube.



