Trabalhos sem parar, mas a meio gás. Esta parece ser a cadência futura para a construção da barragem do Tua. A decisão tomada em São Petersburgo, pelo Comité do Património da Unesco, assim o exige. Este órgão pediu para que o ritmo das obras abrandasse enquanto está a ser realizado um estudo sobre os impactos da barragem no Alto Douro Vinhateiro. Entretanto, uma outra avaliação será feita para uma visita de uma comitiva da UNESCO programada possivelmente para setembro.
Assunção Cristas, embora já tivesse dito que os trabalhos são para continuar, admitiu ser sensível à exigência da instituição mundial. Por outro lado, a Quercus continua a defender a não construção e a paragem definitiva das obras da barragem de Foz Tua. Esta organização, que ganha um novo fôlego na sua luta com esta recomendação, espera “que o Governo siga as recomendações da UNESCO e tome medidas concretas para um efetivo abrandamento das obras na barragem”.
Recorde-se que, o Comité do Património Mundial da UNESCO já tinha considerado, através de relatório produzido pelo ICOMOS, que a construção da barragem de Foz Tua tem um impacto irreversível e ameaça os valores que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Esta associação vai mais longe e exige a fiscalização do cumprimento da recomendação da UNESCO, como também a criação de uma comissão independente para avaliar o verdadeiro custo das indemnizações a pagar à EDP, em caso de um abandono definitivo das obras.
A barragem do Tua será em betão, do tipo abóbada de dupla curvatura, com 108 metros de altura máxima e 275 metros de desenvolvimento de coroamento, localizada a cerca de 1 quilómetro da foz do rio Tua, dispondo de um descarregador de cheias inserido no corpo da barragem equipado com comportas, de uma descarga de fundo e de um dispositivo para libertação de caudal ecológico.




