Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
IgrejaAcólito não é “empregado de mesa”

Acólito não é “empregado de mesa”

Nos dias 26 a 28 do passado mês de janeiro, decorreu, na Casa Diocesana Nª Sª do Socorro – Albergaria-a-Velha (Aveiro), a Formação de Formadores de Acólitos 2018.

Esta iniciativa, promovida pelo Serviço Nacional de Acólitos (SNA), teve como tema “O Mistério Pascal”, e como formadores: Cónego Francisco Couto (diocese de Évora), Pe. Luís Leal (diocese de Lisboa), Pe. Carlos Martins (diocese de Viana do Castelo) e Pe. Nuno Queirós (diocese de Aveiro), que constituem, com o acólito Paulo D’Almeida Santos (diocese do Porto), a direção do SNA. 

Participaram cerca de 35 acólitos das dioceses de Aveiro, Bragança-Miranda, Évora, Funchal, Leiria-Fátima, Porto, Viana do Castelo e Vila Real (paróquia de Constantim), que tiveram o grato prazer de uma visita do Sr. D. António Moiteiro, Bispo da Diocese de Aveiro, na tarde de sábado. No final desta iniciativa, foram abordados assuntos relacionados com a Peregrinação Nacional de Acólitos a Fátima (1 de maio de 2018) e com a Peregrinação Internacional de Acólitos a Roma (30 de julho a 3 de agosto de 2018).

Estamos – uns mais, outros nem tanto -, a caminhar a passos largos em direção ao Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico, e que culmina no Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, “da qual derivam todos os dias santos”, como se anuncia na Missa da Solenidade da Epifania do Senhor.

Este é um tempo particularmente propício para que todos os acólitos reflitam seriamente na sua vocação para o serviço, e no que isso implica. É que o acólito não é um “empregado de mesa”, mas é – efetivamente – um servidor do Ressuscitado! 

Perante este inegável facto, não basta, ao acólito, durante as celebrações em que participa, envergar a sua túnica sem nódoas e impecavelmente bem passada a ferro; é importante, mas não chega. Não basta, ao acólito, desempenhar, mesmo que na perfeição, todas as tarefas que lhe forem confiadas (no respeito pelo que diz o nº 91 da IGMR «todos, ministros ordenados ou fiéis cristãos leigos, ao desempenharem a sua função ou ofício, devem fazer tudo e só o que lhes compete»); é muito importante, mas não chega. 

É, isso sim, muito importante que o acólito tenha formação adequada para ‘saber fazer bem’, para ‘compreender o que faz e porque o faz’, e, essencialmente, que seja cristão de oração e piedade, capaz de aceitar encontrar-se com Jesus Cristo – na comunhão sacramental, no sacrário e no irmão – e de deixar-se transformar interiormente por Ele, orientando a sua vida pelos valores inscritos no Evangelho.

Mas o acólito também não pode ser oco, vazio interiormente, embora exteriormente sem defeito visível. Tem de deixar-se preencher pela vontade do Divino Mestre, e de aceitar servir como Ele serviu. Tem de ser, ao mesmo tempo, “Marta e Maria” (cf. Lc 10.38-42). Mas, mesmo quando está a cumprir um serviço, ter sempre a atitude de Maria, pois ela «escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.” (Lc 10.42).

Fiquem com Deus.


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