Até à realização das eleições para a Direcção da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), a Associação Regional de Ciclismo de Vila Real (ARCVR) suspendeu a sua actividade na organização de provas previstas no calendário nacional, como forma de retaliação por uma penalização que consideram ter representado “um atestado de incompetência”.
“Até Outubro/Novembro, não vamos organizar as provas previstas, ficando a cargo da Federação essa responsabilidade”, explicou Basílio Angélico, Presidente da ARCVR, mostrando-se indignado pelo “desrespeito e desprezo” da Federação de Ciclismo para com a associação vila-realense.
Segundo o mesmo responsável, o caso remonta ao mês de Março, altura em que foi permitida a participação de quatro atletas transmontanos do escalão de Elites numa prova de Sub-23, mais exactamente na Volta ao Concelho de Santa Marta de Penaguião, uma situação que se vêm repetindo, há vários anos, em várias provas, tendo em conta que o nível competitivo dos atletas em causa nunca interfere nos resultados. Por vezes, estes não chegam sequer a concluir a prova.
Em 20 equipas participantes na prova, uma fez queixa à Federação que, como penalização, impediu a ARCVR de organizar a Volta a Sabrosa, “um evento que já estava a ser preparado” pela associação vila-realense e que acabou por passar para a alçada da FPC.
Agora, será também a Federação Portuguesa da modalidade a responsável pela realização de um conjunto de provas calendarizadas para toda a região de Trás-os-Montes, salientando-se eventos, ainda por realizar, em Vila Real, Valpaços e em Mirandela, entre outras.
“A Federação tem que ter consciência que a nossa realidade, enquanto associação do interior, é diferente da das grandes associações do litoral”, explicou Basílio Angélico, recordando, no entanto, o importante papel que a associação vila-realense tem desempenhado, ao longo dos últimos 30 anos, em prol do desenvolvimento da modalidade, na região.
Lamentando o “atestado de incompetência” dado pela Federação, o dirigente associativo que está à frente da ARCVR desde a sua fundação, há mais de 25 anos, contabiliza que, actualmente, são cerca de 120 os atletas inscritos na associação vila-realense e que são muitas as demonstrações de capacidade e qualidade organizativa da sua equipa, sendo de realçar, por exemplo, a organização da Volta a Trás-os-Montes que, este ano, teve a sua 22.ª edição.
“Somos uma associação pequena, mas não podemos permitir que abusem de nós”, sublinhou o mesmo responsável, lembrando que, apesar de estar no interior do país e de contar com parcos recursos humanos e financeiros, graças ao desempenho da ARCVR já têm se descoberto, na região, grandes valores para o ciclismo nacional.
Apesar de contar com a dedicação e “carolice” de um grupo de pessoas que começou a desenvolver o Ciclismo, na região, há mais de três décadas, Basílio Angélico adianta que, caso a actual Direcção da Federação seja reeleita, no próximo sufrágio, a Associação vai ponderar a sua ligação à FPC. E, no seu caso pessoal, pondera mesmo a sua continuidade, enquanto dirigente e membro da ARCVR.



