Tudo começou quando a Associação Comercial e Industrial de Mirandela – entidade gestora da Alheira de Mirandela, em março de 2006, requereu formalmente junto da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural o registo da alheira como IGP. Após um processo de qualificação, este produto, que muitas vezes é adulterado quanto à sua origem, conseguiu atingir um patamar de referência de qualidade pela Comissão Europeia. Sendo assim, a atribuição de IGP à Alheira de Mirandela constitui um instrumento de qualificação que garante a origem e a qualidade do produto junto do consumidor e fortalece o agrupamento de produtores, consolidando a ligação entre ambos e a consequente geração de valor através deste produto de excelência. A partir de agora, a alheira de Mirandela só pode ser produzida no concelho de origem. O novo estatuto foi autorizado pela Comissão Europeia e confirmado pelo Governo português no despacho do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Gomes da Silva, publicado a 3 de julho em Diário da República.
Muitas pessoas não sabem, mas a alheira foi um produto inventado pelos judeus como artimanha para escaparem às malhas da Inquisição. Como a sua religião os impedia de comer carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos seus perseguidores pelo facto de não fazerem nem fumarem os habituais enchidos de porco. Assim, substituíram a carne de porco por uma imensa variedade de carnes, que incluíam vitela, coelho, peru, pato, galinha e por vezes perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência. A receita acabaria por se popularizar entre os cristãos, mas estes juntavam-lhe a omnipresente carne de porco (raça bisara).




