Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Amor à causa é fórmula para o sucesso

Fundada em 1560, a Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio é, hoje, a única resposta social do concelho. Da creche aos lares, o apoio chega a mais de 300 pessoas

Há 462 anos abria portas a Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio (SCMMF). Os tempos foram mudando e, com isso, também as necessidades da população, hoje mais envelhecida.

Só nos últimos 20 anos, “passámos de nove para 120 colaboradores”, indica Alberto Pereira, provedor da SCMMF há 23 anos, admitindo que “a grande maioria é aqui do concelho”.

Também o número de utentes tem vindo a crescer. São, neste momento, mais de 300. “Na creche temos 32 utentes, no Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) são 30. Temos 118 em Apoio Domiciliário, 17 em Centro de Dia, 42 em Cantina Social e 83 nos quatro lares que temos. Feitas as contas, são 322 utentes, nos vários serviços da Misericórdia”, refere.

“A estes 322 juntam-se muitos outros que são acompanhados pelo CLDS e aos quais prestamos também apoio”, salienta. É, por isso que tem que se, gerir tudo muito bem, “o que nem sempre é fácil” confessa, lembrando que “não nos podemos esquecer que temos que pagar aos colaboradores e aos fornecedores”.

E à semelhança dos colaboradores, também a maioria dos fornecedores é de Mesão Frio. “Tudo o que puder ser adquirido no concelho, tentámos comprar para, de alguma forma, ajudar o comércio local”.

PÉS ASSENTES NA TERRA

Por ser preciso gerir tudo muito bem, é de pés assentes na terra que o caminho da SCMMF se vai trilhando. “Tentamos dar sempre um passo de cada vez, ou seja, só quando um projeto está concluído e totalmente pago é que partimos para um novo”, admite o provedor, frisando que “as IPSS’s, como é do conhecimento público, não estão a atravessar os melhores dias, daí que tenhamos um cuidado enorme quando queremos levar por diante um novo projeto. Temos que nos certificar se a Misericórdia tem capacidade financeira para avançar”.

Um dos últimos projetos da SCMMF foi a Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI) de Barqueiros. “É uma obra que está praticamente paga. Por isso, estamos já a pensar no próximo projeto que será construir uma nova creche, tendo em conta que a que temos já é insuficiente”.

“Com a nova creche iremos aumentar a nossa capacidade de resposta e ao mesmo tempo criamos melhores condições para aqueles que nos procuram, uma forma de também ajudar a fixar pessoas e combater a desertificação destes territórios”, explica Alberto Pereira, admitindo que “neste momento, a SCMMF está numa boa situação financeira, daí que estejamos a pensar no próximo projeto”.

AMOR À CAUSA

Hoje em dia, muitas instituições queixam-se da dificuldade que é encontrar quem queira trabalhar com idosos. No caso da SCMMF, “a pandemia veio mudar algumas ideias pré-definidas”.

“Tínhamos pessoas que chegaram aqui a dizer que só queriam trabalhar com crianças. Com a pandemia, e os mais novos em casa, acabaram por dar apoio aos mais velhos. O engraçado é que depois disso mudaram de ideias e dizem mesmo que gostam mais de trabalhar com esta faixa etária”, conta.

E aqui os utentes são todos bem tratados. “O que incutimos aos nossos colaboradores é que o foco do trabalho são os utentes, tenham eles três meses ou 100 anos”. Nas palavras do provedor, “quando se trabalha com amor à causa, é tudo mais fácil”.

Talvez seja essa a fórmula para o sucesso desta instituição. Contudo, e sendo a única resposta social do concelho, fica no ar uma questão: se a SCMMF tiver de fechar portas, por qualquer motivo, o que seria destas pessoas?

-PUB-

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