Recentemente, a EDP anunciou o adiamento da barragem de Fridão e a suspensão da barragem do Alvito, alegadamente para encontrar “soluções de optimização”. Esta decisão reforçou um velho anseio das organizações ambientais pela não construção das duas barragens em causa e desta vez com um argumento novo: “a escalada do défice”.
As associações ambientalistas GEOTA, LPN, Quercus, FAPAS, COAGRET e MCLT subscrevem um documento em que aproveitam esta decisão da EDP para reclamar a mesma atitude para outras barragens previstas. “As associações signatárias congratulam-se com este adiamento da sentença de destruição de mais dois rios e reiteram que o modelo de negócio subjacente ao Programa Nacional de Barragens é altamente lesivo para o país e para os cidadãos, e devia ser abandonado enquanto é tempo”.
Os ambientalistas realçam que “a decisão da EDP terá sido causada por uma combinação de vários factores”, nomeadamente pela “desadequação técnico-económica dos projectos e redução das garantias de equilíbrio financeiro das concessões”. O negócio estava assente num regime de “garantia de potência” que poderá ser inviabilizado pelas restrições impostas pela missão internacional FMI/CE/BCE (vulgo troika)”, referem no mesmo documento. Lembram ainda que, a Estratégia Europeia para a Energia aponta exactamente no sentido oposto: investimento prioritário na eficiência energética e em soluções de custo eficazes e não em nova produção de alto custo”. Neste sentido, surge o apelo ao Governo para que revogue definitivamente o esquema das garantias de potência para novas centrais (que apenas beneficia as grandes empresas eléctricas, de construção e a banca), e cancele o programa de barragens.






