Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Autarcas “revoltados” devido à proibição de divulgar a situação epidemiológica no Alto Tâmega

Os autarcas mostraram a sua indinação contra a ministra da Saúde, Marta Temido, por ter proibido a divulgação do boletim epidemiológico sobre a covid-19 por parte da Unidade de Saúde Pública (USP) da região.

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Durante os últimos 29 dias, as câmaras municipais divulgavam nas redes sociais os dados de cada um dos seis concelhos que integram esta comunidade intermunicipal.

Fernando Queiroga manifesta o “mais profundo desagrado e completa revolta com a atitude tomada pelo gabinete da ministra da Saúde, que impediu da USP do Alto Tâmega de continuar a divulgar o boletim epidemiológico onde todos os dias dava conta dos casos registados na região”, lamenta, adiantando que tinha como único objetivo “manter a população informada e atualizada”.

O autarca vai mais longe e acusa ainda o Ministério da Saúde de “estar a fugir à verdade e manipular os números” que apresenta aos portugueses.

Na mesma linha, o presidente da câmara de Valpaços, Amílcar Almeida, mostra-se mesmo “revoltado” com a situação, lamentado a decisão governamental, uma vez que a covid-19 “é uma doença altamente contagiosa e de fácil propagação”. Além disso, deixa no ar a suspeita que “nem sempre o referido relatório da Direção Geral da Saúde (DGS) retrata com rigor e veracidade o número de infetados”.

Já Alberto Machado, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, sublinha que a autarquia é alheia a esta decisão da Administração Central, reiterando que irão “pugnar por procurar esclarecer a população, mantendo uma comunicação direta e transparente”.

Nuno Vaz, presidente da Câmara de Chaves, refere que esta decisão “é infundada e incompreensível”, já que se tratava de uma informação importante para a própria proteção civil municipal, que desta forma “fica às cegas”.

O autarca socialista acredita que haja também um desfasamento dos números, no entanto, ressalva que se deveria corrigir a nível local a informação e divulgá-la à população, que tem o direito a ela. “É uma decisão errada e deve ser revertida”.

João Noronha, presidente da Câmara de Ribeira de Pena, diz desconhecer as razões por detrás desta decisão, lamentando que desta forma não consiga transmitir os dados mais específicos para o seu concelho. “Gostaria de informar os munícipes sobre a situação em Ribeira de Pena, num contexto de maior proximidade, mas é uma decisão que nos ultrapassa”.   

A autarquia de Montalegre emitiu um comunicado onde divulgou que não irá disponibilizar a informação diária sobre a covid-19 no concelho, devido à “imposição da Direção-Geral da Saúde”.

Por ser “uma decisão de âmbito nacional”, o município acrescenta ainda que os únicos dados a divulgar serão os fornecidos pela DGS.

 

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