Quarta-feira, 10 de Junho de 2026
RegiãoBarragem da Torre do Pinhão começa a encher em Abril

Barragem da Torre do Pinhão começa a encher em Abril

Está praticamente concluída a construção da Barragem da Torre do Pinhão. A primeira fase do seu enchimento começa já em Abril. Serão inundados cerca de cinquenta hectares de área Na sua plenitude volumétrica, serão quatro milhões de metros cúbicos de água que os concelhos de Vila Real e Sabrosa vão ter à sua disposição a […]

Está praticamente concluída a construção da Barragem da Torre do Pinhão. A primeira fase do seu enchimento começa já em Abril. Serão inundados cerca de cinquenta hectares de área Na sua plenitude volumétrica, serão quatro milhões de metros cúbicos de água que os concelhos de Vila Real e Sabrosa vão ter à sua disposição a partir do último trimestre deste ano. Depois, Alijó e Murça serão, também, concelhos beneficiados.

Em grandeza volumétrica, a barragem da Torre do Pinhão será quatro vezes maior que a Barragem do Sordo. Constituirá, no futuro, uma das mais importantes reservas e origens de água de Trás-os-Montes e Alto Douro. As últimas chuvas engrossaram um pouco as linhas de água e a própria bacia aquífera começa a ter um outro aspecto.

O Presidente da Empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, instituição promotora deste empreendimento, Alexandre Chaves, adiantou, ao Nosso Jornal, alguns pormenores do enchimento da barragem que terá uma altura de vinte metros.

“Todo o processo será acompanhado pelo Instituto Nacional da Água, INAG, e a recepção de água terá algumas fases, designadas por “camadas” de água. Assim, a primeira começará já em Abril e, depois, as restantes. Ao mesmo tempo, o INAG irá fazer testes nesta barragem de enroncamento quanto à sua estanquidade, verificação da estabilidade e segurança do corpo da barragem e outras verificações técnicas. Durante 2008, o espelho de água deverá atingir a sua plenitude e, no último trimestre, as populações da cidade e de algumas freguesias do concelho de Vila Real, nomeadamente limítrofes com o concelho de Sabrosa, Lamares, Justes, entre outras, começarão a ser já abastecidas. Depois, em 2009, reforçará o sub sistema da Barragem de Vila Chã e, por inerência, os concelhos de Murça e Alijó”.

Alexandre Chaves enalteceu as virtudes da água da barragem da Torre do Pinhão e teceu, até, comparações com a da represa do Sordo: “A água desta barragem será de extraordinária qualidade, não poluída e com origens de montanha. Aliás, melhor que a da Barragem do Sordo, dada a sua localização geográfica. Aqui, temos de ter em conta dois pormenores. Os “lixiviados”, oriundos do IP4, resultantes dos óleos, desgaste dos pneus; e a localização da respectiva barragem. Está no fundo do Vale da Campeã, uma área agrícola, com alguma pressão orgânica, dada a existência de algumas vacarias, tratamentos fitossanitários e, até, a presença de algumas pocilgas, factores mais sensíveis no Inverno. Mas isto não significa que a água oriunda do Sordo ponha em risco o consumidor. Estamos sempre atentos e pode-se beber, à vontade e em segurança”.

A Barragem da Torre do Pinhão, cujo “muro” fica nesta freguesia do concelho de Sabrosa e a albufeira na freguesia de Vreia de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, está construída numa secção do rio Pinhão. Vai inundar uma área de cerca de 50,5 hectares, ao nível de pleno armazenamento. Insere-se num projecto global desenvolvido para a zona de Trás-os-Montes (Sistema Multimunicipal de Água e Saneamento de Trás-os-Montes e Alto Douro). O Sistema do Pinhão engloba uma barragem, uma Estação de Tratamento de Água (ETA), oito reservatórios, sete estações elevatórias e cerca de 100 quilómetros de condutas, representando um investimento de cerca de dez milhões de euros. E, desta fatia, quatro milhões de euros é o custo da barragem. Sete milhões e seiscentos mil euros para a Estação de Tratamento de Água e oito milhões e quatrocentos mil euros para o respectivo sistema adutor.

“Vamos resolver os problemas da falta de água das populações dos concelhos do Douro Norte, com qualidade e quantidade”, salientou Alexandre Chaves.

Esta barragem será o ponto de origem do sistema de abastecimento de água do Pinhão, abrangendo uma população de cerca de 75.000 habitantes. Estas obras são garantidas pelo Fundo de Coesão Europeu, através de uma comparticipação, de 85 por cento, a fundo perdido.

Quem recebeu, com agrado, esta novidade, foram os autarcas de Murça e Sabrosa, respectivamente João Teixeira e José Manuel Marques. O primeiro salientou que o problema do abastecimento de água a Murça pode ficar resolvido, de vez, em 2009, em termos de regularidade e qualidade.

“Tudo está previsto e a ATMAD construiu, já, no alto de S. Domingos, um depósito de meio milhão de metros cúbicos de água, para abastecer a vila e as duas freguesias e, agora, vai acolher este grande subsistema. Teremos, em breve, aqui à porta, as adutoras cheias de água, dentro do projecto de abastecimento da rede em alta das Águas de Trás-os-Montes. Quando o Sistema Multimunicipal da ATMAD, através das origens da Barragem da Chã e de Torre do Pinhão, abastecerem a vila, os problemas da qualidade e quantidade de água acabarão e será a solução para todos os males de que padece a água de consumo público, em Murça”.

Por sua vez, o Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, referiu, ao Nosso Jornal, que “é muito importante, para a população do concelho, a água da barragem da Torre do Pinhão. Ainda recorremos, diariamente, ao transporte do precioso líquido, para algumas aldeias da Zona Norte, recorrendo aos Bombeiros e daí os custos inerentes. É uma boa notícia, para todos, sabendo das dificuldades que temos, também, na Zona Sul do concelho. Neste momento, estamos a negociar com a ATMAD o abastecimento em “alta”, também para esta área. As nascentes estão secas, os lençóis freáticos reduzidos e a situação de seca severa, em alguns pontos do concelho, é uma realidade. Também Sabrosa, com a origem da Torre do Pinhão, verá o seu problema resolvido”.

De salientar, ainda, que, neste momento, estão em fase de construção ou conclusão grandes barragens de abastecimento público de água: Ferradosa, em Freixo de Espada à Cinta; Olgas, em Torre de Moncorvo; Sambade, em Alfândega da Fé; Valtorno-Mourão, em Vila Flor (nesta, está prevista uma intervenção que passa pela consolidação da sua estrutura) e Pretarouca, em Lamego. Há a expectativa da ATMAD em ver todos estes empreendimentos concluídos, até final deste ano. A barragem de Veiguinhas, em Bragança, está ainda num processo mais moroso, devido a questões de natureza ambiental, já que se situa em pleno Parque Natural de Montesinho.

 

 

José Manuel Cardoso


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