Terça-feira, 29 de Novembro de 2022

Barragem do Alto Rabagão com níveis baixos de água

Em Montalegre, a seca originou um nível tão baixo de água na barragem do Alto Rabagão, que não há memória de tal acontecimento antes.

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A albufeira mais conhecida por barragem dos Pisões apresenta um decréscimo de mais de 30 metros no nível da água, afastando-se das aldeias que a envolvem.

Na freguesia de Viade de Baixo, no viveiro da Quinta do Salmão, Domingos Lemos demonstra um olhar preocupado com o futuro. “É a primeira vez que se vê assim tão pouca água na barragem. Teima em não chover e se não chove não pode haver água”, disse.

O responsável pelo viveiro relatou que já foi necessário transferir a estrutura onde estão os peixes para partes “mais fundas” da albufeira, mas surge também a preocupação da temperatura da água. “Agora, a água fica muito gelada, é pouca água e arrefece muito rápido e, se assim continuar, de verão, vai aquecer muito rápido e o peixe não aguenta estas temperaturas”, avança.

Esta foi também uma das barragens abrangidas pela decisão do Governo de suspender a produção hidroelétrica, uma medida que favoreceu a manutenção do nível da albufeira, todavia, David Teixeira, o vice-presidente da Câmara de Montalegre, frisa que poderia ter sido feito mais para “acautelar” a situação. “Se os túneis de retorno tivessem sido utilizados principalmente durante a noite para bombagens, os níveis de água teriam sido mantidos muito mais acima daquilo que estão neste momento. Ainda não estão no nível mínimo, é importante que se diga, mas também tiveram que parar a produção e apenas manter o caudal ecológico”, avançou o autarca.

A seca reflete-se também na escassez de pasto para os animais e ainda nos incêndios. Sem chuva ou neve, que costuma cair no concelho no mês de janeiro, o autarca de Montalegre contabilizou “seis a sete ignições” por dia nas últimas semanas e adiantou que os incêndios “têm tomado proporções muito grandes”. “Praticamente as melhores pastagens foram todas já devastadas pelos incêndios e os pastores, principalmente de pequenos ruminantes e quem tem o pastoreio extensivo, não têm onde alimentar o seu gado”, frisou.

Carlos Baía, um pastor de Vilarinho de Negrões, conhecida como a aldeia flutuante, diz ver a água “lá ao fundo”. “Esta altura está um bocado complicada, está tudo seco, tudo queimado pelas geadas e já há pouco pasto para os animais. Os animais vão comendo urzes e giestas, o que ainda vão apanhando”, adiantou. Em acréscimo, o popular lamenta dizendo que, se a situação se mantiver, terá de comprar alimento para os animais.

O Vice-presidente do município adiantou que o município está já em preparação para uma campanha que visa a redução do consumo de água.

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