“Foram os nossos carros de bois que transportaram a pedra da serra e o povo que durante um ano a construiu, por isso a escola é nossa”. Este é o argumento mais comum entre os habitantes da aldeia do Barreiro, concelho de Mondim de Basto, que os leva a manifestar a sua oposição face à intenção da autarquia em vender algum do seu património escolar e arrecadar algumas centenas de milhares de euros. “A escola é uma referência da aldeia e não pode mudar de mãos desta forma. Tudo o que está no edifício, com a pedra e o telhado foi obra do povo”, acrescentou António Costa.
Durante a manhã de domingo, alguns habitantes e antigos alunos da escola juntaram-se em frente ao antigo edifício escolar num protesto simbólico. No interior são visíveis sinais de desleixo, como documentos, livros e cadernos espalhados pelo chão.
Marcelino Moreira, outro dos queixosos, deu voz aos protestos e garantiu que o edifício “é património do povo e não pertence à Câmara”, apontando ainda o dedo à Junta de Freguesia de Ermelo, que “não tinha nada de retirar as carteiras e o crucifixo”. Este habitante refere que as pessoas querem que o edifício seja destinado a iniciativas de animação e apoio social aos habitantes.
O presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira, confirmou que a autarquia tem a intenção de vender sete escolas que estejam registadas em nome da Câmara, no entanto salvaguardou que tal processo nunca irá contra os interesses das populações. “Nunca iremos contra o interesse do povo. Mas, é preciso equacionar que actividades ou soluções poderão tornar as instalações num espaço vivo e de uso comunitário. Se houver alguma associação que dinamize o imóvel, com certeza que abordaremos o assunto de outra forma”.
Refira-se que, a escola do Barreiro começou a ser construída em 1955 e abriu as portas em 1956. Chegou a ter 30 alunos, mas encerrou em 2006. Em meados dos anos 50, o povo da aldeia construiu uma casa a cerca de 100 metros da antiga escola para acolher o professor da antiga escola primária.
Antes da construção desta escola, os alunos tinham de se deslocar a pé durante 4 quilómetros até à aldeia de Fervença, algumas das crianças eram levadas às costas pelos seus pais, devido ao rigor do Inverno e dos maus acessos.




