Este é o único território do país a alcançar o reconhecimento do sistema agrosilvo-pastoril como um importante método de defesa do património.
Apesar de ser motivo para celebrar, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, alerta para a ameaça que a exploração de lítio representa, na sua opinião, para o Barroso, no que diz respeito “ao direito à saúde, ao ambiente e à qualidade de vida, direitos elementares das populações, constitucionalmente consagrados”.
Amanhã é também o último dia da consulta pública relativa ao Projeto de “Ampliação da Mina do Barroso” submetido a apreciação da Agência Portuguesa do Ambiente pela Savannah Resources, que pretende explorar lítio na zona de Covas do Barroso.
O autarca entende que o selo de Património Agrícola Mundial “se encontra seriamente ameaçado pela possível exploração de lítio em Covas do Barroso, o que, a confirmar-se, irá pôr em causa esta classificação, já que afetará uma área muito significativa do Barroso Património Agrícola Mundial, destruindo habitats e o meio ambiente”. Para Fernando Queiroga o projeto extrativo “fará com que esta região perca a sua maior riqueza e nunca mais se consiga recompor, já que em poucos anos se irá destruir o que levou séculos a construir, levando o Barroso a perder a sua identidade e o carácter diferenciador da sua paisagem e das suas práticas comunitárias”.
Na véspera deste aniversário, o presidente da Câmara de Boticas reforçou a importância da classificação atribuída a este território a 19 de abril de 2018, sublinhando “as mais valias que a mesma veio trazer à região do Barroso, amplamente promovida durante este período de tempo, atraindo cada vez mais visitantes a este território de caraterísticas únicas” e garantindo que “este selo de qualidade continuará a contribuir para um maior desenvolvimento do Barroso” e garante que o selo de Património Agrícola Mundial “é um orgulho para todos os botiquenses e continua a ser um desígnio que este território se perpetue no tempo sob a denominação de Reino Maravilhoso, como afirmava Miguel Torga”.




