Sábado, 4 de Dezembro de 2021

Basta!

Quando é que duas almas que se encontraram, desenvolvem as primeiras agressões verbais ou até físicas? E porquê?

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Dizem os estudos que na nossa na sociedade a violência doméstica fala mais no feminino e que esta atravessa todas as classes sociais.

Esses mesmos estudos afirmam que os números reportados de mulheres violentadas são assustadores.

Dizem também que o número de mortes é significativo. Que fenómenos explicam esta situação? Porquê os afetos revertem em ódio e violência?

Se falarmos nas classes mais desfavorecidas poderemos ver-nos tentados a refletir nas pressões da pobreza, mas na classe média – alta? Normalmente, distúrbios psicológicos, dependências, ciúme patológico são a base do problema, embora também o sejam nas outras classes sociais, mas aqui com outra capacidade de resposta. Relações tóxicas é o caldeirão aonde tudo se desenvolve. Se o outro resistir, frustrar ou não corresponder às expectativas do (a) violentador(a), surgirá a violência.

A violência doméstica pode começar de uma forma subtil e vai a evoluir para formas claras de dominação, ou até para a violência física, se a pessoa se recusar a obedecer ou se mostrar não colaborante (ou não corresponder ao esperado).

Mas, porque deixam os violentados arruinar a sua saúde física e mental? Muitas vezes porque dependem do violentador, outras porque estão sozinhos, sem retaguarda, e sentem-se carentes emocionalmente. 

O pouco afetivo que vai recebendo é interpretado sempre como sinal de mudança do outro.

Não raro é encontrar casos extremos de Síndrome de Estocolmo.

É possível romper este ciclo? É. Basta que a vítima se consciencialize que merece mais do que tem e que busque por ajuda especializada.

Mas o procedimento deixa a vítima vulnerável. A primeira coisa a fazer é sinalizar o caso às autoridades policiais. Há também que solicitar apoio psicológico que permita à pessoa encontrar de novo o seu equilíbrio interior. Posto isto, aguardar, acautelando a sua segurança.

E se tratar de uma vítima que ainda resida com o agressor? E se houver filhos menores? Cabe à entidade policial gerir o risco, encaminhando o caso para as entidades competentes até que haja uma decisão judicial.

Normalmente, nestas condições as vítimas sentem – se injustiçadas vendo – se obrigadas a sair das suas casas quando são os agressores os em falta com a justiça. Os processos são morosos. As consequências destes delitos são menores e há entre quem os pratique um senso enorme de impunidade e confiança de que nada acontecerá. É, também por isso, que muitas vítimas nem sequer apresentam queixa. A lei ainda é muito frágil nesta matéria, portanto as vítimas têm de tomar medidas pessoais e especializadas para se reconstruir.  Lembrem-se sempre que são pessoas com valor e é possível voltar a ter uma vida normal. Porque a violência doméstica existe, vale a pena lutar por um mundo melhor para todos.

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