As bibliotecas escolares têm tido um papel importante na recuperação das aprendizagens e também ajudam a melhorar a formação dos alunos.
A VTM foi à Escola Secundária de São Pedro, em Vila Real, tentar perceber de que forma a biblioteca consegue ajudar os alunos a melhor na escola.
Teresa Morais. professora bibliotecária há 10 anos, explicou que a Biblioteca tem desenvolvido vários projetos que aproximam os alunos da leitura e da escrita.
Um dos mais emblemáticos é o “Dez Minutos a Ler”, em que antes de uma aula começar, os alunos têm 10 minutos para ler um livro. “Logo no início do ano, no conselho de turma, fazem uma espécie de plano para implementar o projeto, que tem sido um sucesso. Todos os professores aderiram, nas turmas do 7º ao 10º ano, em que todos os alunos andam com um livro na mochila”.
“É uma coisa fantástica, que eu nunca pensei que tivesse tanto sucesso, porque todos os professores pegaram nele com grande motivação e dizem ser um momento de silêncio, de calma, de concentração quando os miúdos estão a ler”, acrescenta, adiantando que os alunos ficam em silêncio durante a leitura. “O professor diz vamos ler um bocadinho. Os alunos tiram os livros da mochila e leem durante esses 10 minutos. Depois, a aula começa normalmente”.
“A Biblioteca tem desenvolvido vários projetos que aproximam os alunos da leitura e da escrita”
TERESA MORAIS
PROFESSORA BIBLIOTECÁRIA
Teresa Morais revela que desde que esse projeto está em vigor, a quantidade de livros requisitados triplicou. “Aqui, o mérito é dos professores, que levam o projeto a sério. É um dos projetos da biblioteca que funciona, as pessoas gostam, os alunos também não se queixam. E tanto se insiste com a leitura, que alguns deles acabam por adquirir o hábito de ler”.
Antes da pandemia de Covid-19, esta biblioteca recebia uma média de 130 alunos por dia, após a reabertura “continuámos com a mesma média”. No entanto, “ultimamente, subiu para os 150 a 155, e isso deve-se também a outras atividades que são desenvolvidas, como o ‘Cantinho do Xadrez’, jogos de damas, puzzles, e equipamentos que podem usar, como computadores portáteis e tablets”.
A professora afirma que hoje as bibliotecas funcionam em rede e têm outras ferramentas para ajudar os alunos a desenvolver mais capacidades. “Eu já tive a sorte de ter uma biblioteca em que os livros não estavam fechados, que era o caso desta escola, em que estavam em armários fechados à chave e não podíamos mexer”.
Hoje é tudo muito diferente. “Desde que entrou em funcionamento a rede de bibliotecas escolares deu-se um grande salto, com diretrizes específicas para as bibliotecas, em que os livros são de livre acesso. Por exemplo, os alunos chegam aqui e podem procurar o livro à vontade”.
RECURSOS DIGITAIS
Numa altura em que o livro parece estar a perder terreno para o digital, o certo é que tem sobrevivido ao longo dos tempos. No entanto, as bibliotecas escolares também são estimuladas para as literacias digitais, porque vivemos rodeados de informação e é preciso saber navegar na internet e avaliar aquilo que se lê, pelo que as bibliotecas têm feito um trabalho “muito importante” neste plano da escola digital.
“Na parte digital da biblioteca é possível encontrar imensa informação. Através do site há uma imensidade de recursos para todas as disciplinas, como uma listagem de todos os livros de física, matemática, português, etc. Também temos e-books de livre acesso e a pandemia ajudou muito na digitalização das bibliotecas”.
Teresa Morais não sabe se o digital veio prejudicar o livro físico, mas sublinha que os estudantes continuam a procurar o livro em papel. “Sei que eles leem muito livros em papel, porque os levam para a sala. E os professores também incentivam essa procura pelo livro físico”.
OUTROS PROJETOS
Com o objetivo de recuperar as aprendizagens nos domínios da leitura e da escrita, a escola tem vindo a promover encontros com escritores. Um deles foi Samuel Úria, músico e escritor que tem um projeto pedagógico “Apalavrado”. O projeto inclui um livro com histórias que exploram a palavra em diferentes dimensões, lida e pensada, com uma experiência imersiva no universo da linguagem.
“Diogo Piçarra em Pessoa” é outro projeto que passou este ano pela escola, em que o músico reinventa e reconstrói a obra de Fernando Pessoa e sua heteronímia, que inclui a reconstrução de 20 poemas de Fernando Pessoa.
Estes são projetos da Biblioteca, que são financiados a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência.








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