“Cada um de nós, ao ser ouvido e olhado, possa igualmente ouvir e olhar os outros como irmãos e a criação como a casa comum. Não aconteça de sentir o que o profeta dizia: “Eles têm olhos para ver e não veem, têm ouvidos para ouvir e não ouvem: é uma geração de rebeldes”. O uso da máscara exercita ainda mais o ouvir e o olhar”, disse D. José Cordeiro na homilia.
Na eucaristia da solenidade da Virgem Santa Maria, Rainha, sob a invocação “das Graças”- padroeira da cidade, do município, da unidade pastoral e da catedral -, o bispo de Bragança-Miranda salientou que pedem que os ajude a serem “fazedores de paz, aprendendo com Ela a ser mais “nós” (Bem Comum) que ‘eu’ (individualismo)”, ao serviço do dom da caridade, “como exercício da gratuidade gratuita”.
No documento da diocese, o bispo destaca que, “em tempos duros de pandemia”, Maria é a “‘Mulher eucarística’ que ouve e olha com ternura” a cidade e a diocese, “com as mãos sempre abertas de luz e de paz cuida oferecendo as carícias de Deus”.
“Quando entramos na catedral abrimos as mãos para os cuidados sanitários às mãos estendidas da equipa de acolhimento. A mão é sinal do amor cristão e do serviço de fraternidade. As mãos servem o próximo nas obras de misericórdia e na caridade, curando as feridas, tomando a iniciativa e criando a proximidade. As mãos são páscoa cristã da indiferença à compaixão”, acrescentou o prelado.
Segundo D. José Cordeiro, “este tempo inaudito” convida “à conversão, isto é, a mudar a escuta e o olhar” e questionou quais os “passos para uma vida nova na Igreja”.
D. José Cordeiro salientou que o Papa Francisco “continua a mostrar alguns desafios” que se colocam à Igreja como “sacramento e mistério de comunhão” e que marcam o roteiro eclesial na diocese, “para uma conversão pessoal, pastoral e missionária”.
Neste âmbito, pediu que todos se esforcem “por cuidar uns dos outros, cuidar o próximo”, aproximando-se de quem precisa, “mesmo em tempos de pandemia e com todo o cuidado integral”.
D. José Cordeiro explicou que a “expressiva, quanto bela”, imagem da padroeira, a Senhora das Graças, “não tem o Menino Jesus ao colo”, mas aparece com o “coração ardente e cintilante fora do peito, que dá amor por amor”.
Este ano, a procissão da solenidade de Nossa Senhora das Graças, pelas principais artérias da cidade, foi substituída por uma “pequena procissão, sem povo, em redor da catedral”.


