Pioneira na região no que diz respeito à aposta na disponibilização de psicólogos aos seus homens e mulheres, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca de Vila Real vai agora “emprestar” três dos seus elementos a uma equipa que, sob a alçada da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), já está no terreno para apoiar os soldados da paz expostos a acidentes críticos e a apoiar a família nuclear de bombeiros com lesões graves ou vítimas mortais de toda a região Norte.
Criadas no seio do Núcleo de Segurança e Saúde da ANPC, as Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) a bombeiros representam três grupos de psicólogos e assistentes sociais que vão servir as várias corporações das regiões Norte, Centro e Sul.
Para os distritos de Vila Real, Bragança, Porto, Viana do Castelo, Braga e Aveiro foi criada uma equipa de seis elementos chefiada por Alexandre Favaios, psicólogo da Cruz Branca há cerca de oito anos, e que conta ainda com Orlando de Matos e Márcia Pereira, também elementos da corporação vila-realense.
Segundo o chefe da EAPS criada para servir a Região Norte, o facto de três elementos da Cruz Branca terem incorporado a equipa vem reconhecer que a aposta da corporação no apoio psicológico dos bombeiros foi a mais acertada, no entanto, o trabalho agora desenvolvido pelos três elementos tem um perfil “supra corporação”, ou seja, é um serviço activado a nível central, pela ANPC.
No caso de ser necessário apoio psicológico em emergência, apoio psicológico na gestão de incidentes críticos e apoio social, estas equipas são então projectadas no terreno, actuando não só junto dos bombeiros directamente afectados, mas também junto de colegas e de familiares directos.
A actuação das equipas é pontual, podendo ser feita “imediatamente após o incidente crítico, numa intervenção de 24 a 72 horas após o incidente, ou na modalidade mais direccionada para os familiares”, explicou Alexandre Favaios, referindo que para um caso que necessite uma intervenção mais duradoura, visando por exemplo o re-equilíbrio pessoal e emocional mais complexo, a função das EAPS será de “sinalização e encaminhamento para outros tipos de instituições que prestem esse apoio”.
Apesar de ter iniciado agora a sua função na nova equipa, o psicólogo da Cruz Branca faz já um balanço do apoio que ao longo dos últimos anos tem prestado na corporação vila-realense e que já foi mesmo solicitado por outros corpos de bombeiros vizinhos. “Além de outras actividades directamente ligadas aos bombeiros, por exemplo no âmbito do processo de recrutamento e selecção, fomos progressivamente chamados a intervir em situações potencialmente traumáticas ou incidentes críticos”, explica o mesmo responsável, que considera que as corporações e os próprios bombeiros estão cada vez mais sensíveis e receptíveis a este apoio.
Sublinhando a importância de capacitar os bombeiros de que “há sentimentos e sintomas que são perfeitamente normais em reflexo de alguns incidentes”, Alexandre Favaios considera que uma parte relevante da função das equipas será ao nível da intervenção psico-didáctica.



