O aparecimento de movimentações para a possibilidade de criação, na cidade de Vila Real, de mais uma freguesia, não está a ter eco na Câmara Municipal e nos Presidentes de Junta de Freguesia. Há mesmo quem defenda algumas extinções de Juntas, na área rural do concelho.
A hipótese de ser criada uma nova freguesia, tal como aconteceu com a possibilidade de criação da paróquia de Santo António, não foi bem acolhida, por autarcas e políticos.
O Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Manuel Martins, embora evitando entrar em discussão sobre esta matéria, já deu sinal evidente da sua opinião, reconhecendo, publicamente, que “o processo não seria pacífico”.
“É evidente que a paróquia está lá, mas a freguesia teria sempre que nascer à custa do território das outras freguesias já existentes, nomeadamente Arroios, S. Pedro e Mateus. E não estou a ver ninguém a entregar-me nenhuma parte do território, para se construir uma nova freguesia”.
No entender do autarca, estas situações criam inimizades entre as pessoas, recordando o exemplo de Lamares e Justes.
“Ainda hoje jogam todos mal uns com os outros, porque se separaram. Isto é sempre motivo de conflito e eu acho que nessa guerra não entro, com certeza”. O autarca foi mais claro, quando manifestou o seu desejo de querer “aumentar o perímetro urbano da cidade, o que passa por “englobar, totalmente ou a grande parte de algumas freguesias pré-urbanas. Portanto, em vez de termos uma zona urbana com 10, 15 mil pessoas, teremos 30 mil”.
Por sua vez, o Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, Isildo Paulo, alinha pelo mesmo diapasão e defende que “na cidade, não há espaço para mais freguesias! Esse é sempre um processo complicado. Nesta matéria, as Assembleias de Freguesia têm de ser ouvidas e aprovarem a cedência das suas áreas. Não estou a ver ninguém a prescindir de um território, em favor de uma outra freguesia” – sublinhou.
Na sua perspectiva, “a extinção ou fusão de algumas freguesias, na zona rural do concelho, poderia ser admitida, mas, na cidade, não”.
A mesma opinião tem o homólogo da Junta de Freguesia de S. Dinis, Albertino Santos. “Sei que existe um movimento pela alegada criação da Freguesia de Santo António, mas não tem pernas para andar. Acho que as três freguesias da cidade, Nossa Senhora da Conceição (cerca de 6 mil eleitores), S. Pedro (mais de 5 mil) e S. Dinis (a rondar os 3.300 eleitores) respondem à divisão autárquica da cidade. Apesar de existir a paróquia de Santo António, não serve para sustentar a criação de uma outra freguesia, nem estou a ver esta a ser confinada à zona da Araucária”– disse, para acrescentar: “Como ficariam Arroios, Mateus, Folhadela, mesmo Nossa Senhora da Conceição e S. Pedro?”. Por outro lado e como dirigente da Associação Nacional de Freguesias, ANAFRE, referiu, ao Nosso Jornal, que “é preciso haver cautela, com estes processos. Temos, a nível nacional, 4.259 freguesias e a tendência é para a fusão e não para criar outras mais” – sublinhou.
Também o dirigente do PS, Rui Santos, apontado como candidato à Câmara Municipal de Vila Real, foi cauteloso, nesta matéria.
“Não posso dizer sim ou não, taxativamente, sobre esta matéria. O que noto é que deve ser feito um estudo, em que se repense a organização, distribuição e limites urbanos da cidade. Depois, então, poderá tirar-se uma conclusão”.
Jmcardoso



