O facto de Vila Real se encontrar numa região do interior, muito ligada portanto à produção agrícola, levou o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) a escolher o mercado da capital de distrito para o arranque, no dia quatro, da campanha “À mesa com a produção portuguesa”.
O PEV pretende “chamar a atenção” para os problemas da produção alimentar nacional e “sensibilizar para a necessidade de se assumir esta questão como uma prioridade para o país, neste momento de crise e de défice”.
“Portugal tem um défice alimentar de mais de 70 por cento. Ou seja, estamos muito dependentes do estrangeiro. A nossa soberania alimentar está ameaçada”, explicou Júlio Sá, conselheiro nacional do PEV e um dos militantes que marcou presença no Mercado de Vila Real e na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) logo no primeiro dia da campanha nacional.
Segundo o mesmo responsável político, é preciso também sensibilizar a população para o facto do défice alimentar do nosso país “ter raízes políticas”. “Nos últimos 25 anos, desde que Portugal entrou na Comunidade Europeia, fomos trocando directamente a nossa produção e a nossa capacidade piscatória por outras obras, pelo desenvolvimento do betão”, sublinhou.
Júlio Sá lembrou que a distribuição e venda de produtos alimentares estão hoje nas mãos de seis grandes grupos, as chamadas grandes superfícies ou hipermercados, “ que têm um grande défice de produtos portugueses à venda”. Por exemplo, “90 por cento das maçãs vendidas nessas grandes superfícies vêm do estrangeiro”, exemplificou o activista dos “Verdes”.
Apesar da consciência que, ao nível europeu, “vivemos num mercado aberto”, o PEV considera que “temos que saber proteger aquilo que é nosso”, à semelhança do que fazem outros países europeus, “como Itália, França e Espanha”. “Não se trata de fechar as portas, mas sim de ter consciência da população e também da parte de quem nos governa”, sublinhou.
Acreditando que o Estado “é responsável por implementar ferramentas para que os produtos portugueses tenham mais escoamento”, “Os Verdes” têm apresentado várias propostas junto da Assembleia da República e das Assembleias Municipais onde têm deputados eleitos, como por exemplo a ideia de garantir que “os refeitórios e cantinas públicas tenham uma capacidade de consumo de 60 por cento de produtos portugueses”. “Essa proposta foi rejeitada pela grande maioria, a mesma grande maioria que tem vindo a governar, ou seja, o PS, o PSD e o CDS-PP”, lamentou Júlio Sá.
Seguindo a “lei da oferta e da procura”, se “aumentarmos o consumo dos produtos portugueses, aumentará a produção”, defende o PEV.
Depois da passagem por Vila Real, a campanha “À mesa com a produção portuguesa” passou já por outros mercados do distrito, sendo de sublinhar que além do contacto directo e do apelo à população para que consuma produtos portugueses, os dirigentes e activista do PEV vão ainda visitar “produtores, cooperativas e organizações de produtores”.




