Para além do tempo de aulas, os professores “são sistematicamente convocados para inúmeras reuniões”, onde têm que preencher “papéis e mais papéis de utilidade muito duvidosa”, o que totaliza uma pesada carga horária que se reflecte na sua vida pessoal e profissional. A denúncia é do SPZN, sindicato que vai fazer um estudo para demonstrar o que consideram ser uma injustiça e um dos vários focos de “desgaste, fadiga e revolta” que a classe docente sente, já neste início de ano lectivo
“Queremos limites para o tempo de trabalho e o direito a remuneração extraordinária”, defendeu João Dias da Silva, presidente do Sindicato de Professores da Zona Norte (SPZN), adiantando que aquela estrutura sindical vai promover, no final de Outubro e início de Novembro, um estudo para demonstrar a sobrecarga de trabalho dos professores.
A ideia foi avançada por João Dias da Silva depois de uma reunião, realizada no dia 10, em Sabrosa, onde estiveram reunidos mais de três dezenas de dirigentes sindicais de toda a região norte.
Segundo o mesmo responsável, o sindicato vai questionar “uma amostra significativa de professores” sobre as suas funções e horas despendidas, de modo a demonstrar o excesso de trabalho. Esta é uma situação que advém do facto dos docentes acumularem ao tempo de aulas e de preparação das mesmas, inúmeras reuniões para as quais são convocados, bem como, a realização de tarefas burocráticas como o preenchimento de “papéis e mais papéis de utilidade muito duvidosa”. “As notícias que nos chegam é que os professores, genericamente, estão a ser obrigados a permanecerem na escola muito tempo para além daquilo que é o seu horário de trabalho”, não se verificando a atribuição da remuneração extraordinária a que têm direito todos os portugueses, denuncia o presidente da SPZN.
João Dias da Silva realça que a situação, para além de afectar a vida pessoal e familiar dos professores, compromete “uma preparação conveniente das aulas, que é o mais importante na sua função”.
Contudo, a sobrecarga horária é apenas uma das questões que, segundo o sindicato, levam a que, ainda no início do ano lectivo, os professores sintam já “um forte nível de desgaste, fadiga, e revolta” e prova disso, mesmo, é o facto de, a nível nacional, terem triplicado o número de pedidos de aposentação antecipada em relação a igual período do ano passado.
A alteração do regime dos concursos, e a avaliação de desempenho dos docentes, agora em discussão entre o Ministério da Educação e as estruturas sindicais, são outras das questões que os dirigentes da região norte debateram na reunião realizada com o objectivo de fazer uma análise da situação político sindical da profissão.
Apesar de não avançar para já com medidas concretas, João Dias da Silva revelou que os dirigentes sindicais delinearam “as orientações para a acção a desenvolver nos próximos tempos, em defesa e apoio aos professores”.
“Temos que encontrar formas de dar expressão a esta angústia, mal-estar e revolta dos professores. Temos que encontrar uma forma de dar visibilidade” ao descontentamento geral sentido entre os profissionais da educação, garantiu o sindicalista.
Maria Meireles



