Com esta desistência, deixou de haver candidatos assumidos à instituição duriense. Na hora do adeus, Pedro Garcias voltou a criticar duramente a actual Direcção da Casa do Douro. “Jamais aceitaria lutar pela liderança da Casa do Douro recorrendo aos mesmos procedimentos perversos que sempre critiquei. Estava disposto a tudo, até a desistir de uma carreira de jornalista, mas nunca aceitaria recorrer a qualquer meio para atingir o meu objectivo”.
O Presidente da CD, Manuel António dos Santos, foi o seu alvo principal. “Na sua obsessão pelo poder, moveu guerra aos próprios funcionários, ameaçando com despedimento todos aqueles que ousassem criticá-lo ou se recusassem participar na sua campanha de propaganda. Um homem só contra o mundo ou o mundo contra um homem só. É este o pêndulo em que se move o actual presidente da Casa do Douro”, critica Pedro Garcias. Na mesma missiva, acusa a direcção da Casa do Douro de intimar os viticultores a assinar uma petição para pedir à Assembleia da República que defina o estatuto da Casa do Douro, observando que os mesmos já estão definidos”. Classifica ainda as reuniões, como “meras sessões de propaganda eleitoral do actual presidente da Casa do Douro”.
Na carta enviada aos órgãos de comunicação social, o ex-candidato particulariza a sua desistência. “Para preservar a minha dignidade e da minha família e daqueles que me são próximos, e também para não causar, com as minhas críticas e denúncias, qualquer tipo de desconforto ou indignação junto do actual presidente da Casa do Douro e da sua família, afasto-me desta campanha. Não me candidato à direcção da Casa do Douro, nem sequer concorro ao Conselho Regional de Vitivinicultores. De hoje em diante, a Casa do Douro será um capítulo encerrado da minha vida”.
Pedro Garcias criticou também a forma como decorreu a reunião com os viticultores, levada a cabo pela Casa do Douro, no último fim-de-semana, em Vila Nova de Foz Côa. “Saio depois de ter ouvido o presidente da direcção dizer publicamente, em Foz Côa, que a Casa do Douro se encontra numa excelente situação financeira, com vinhos mais do que suficientes para pagar a dívida; e que quem ganhar as eleições vai encontrar uma casa arrumada e com um futuro risonho pela frente. O que me esperava era, pois, o melhor dos mundos, caso ganhasse. Deixo esse mundo idílico ao actual presidente da Casa do Douro e remeto-me à minha singela condição de viticultor, sem vocação para ser D. Quixote”.
Confrontado com esta renúncia, o actual Presidente da Casa do Douro, Manuel António dos Santos, “lamentou a sua desistência”. “Não percebi a sua atitude. No debate do Rotary Clube tinha dito que nunca iria desistir, agora desiste, não dá para entender. Uma candidatura à Casa do Douro tem de ser um acto bem pensado, por quem conhece verdadeiramente os problemas da Instituição e da Região”.
O dirigente abordou ainda algumas críticas feitas por Pedro Garcias. “É falso que tenha movido alguma guerra aos funcionários. E quanto às reuniões com os viticultores não são de propaganda eleitoral, nem há qualquer tipo de intimação. Temos de recolher 4.000 assinaturas para possibilitar na Assembleia da República o debate sobre o futuro da Casa do Douro. Será uma instituição pública? Privada? – Estas são perguntas que ainda não têm resposta por parte do senhor Ministro da Agricultura, apesar da nossa insistência”.
Quanto à reunião de Vila Nova de Foz Côa, o senhor Pedro Garcias de princípio ao fim, manifestou-se contra a direcção e mais uma vez, demonstrou que não sabe ouvir as pessoas. É pelas regras definidas pelo próprio Estado e pela valorização do IVDP que os nossos vinhos tornam a Casa do Douro uma instituição com credibilidade financeira. Nunca vi nenhum candidato a desvalorizar esta realidade e a colocar sempre defeitos em tudo que esta direcção faz pela CD”.




