Talvez os leitores destas ligeiras reflexões já se tenham dado conta de que estas, geralmente, se orientam por princípios e sentimentos positivos e solidários, excluindo, radicalmente, todo o sentir de “profetismos da desgraça”. Mas, claro que temos de ser realistas e só lucramos com os pés bem assentes na Terra.
Uma reflexão sobre “os casais, hoje” não é muito difícil de se fazer. Basta ler ou ouvir os meios de comunicação social e talvez conhecer um ou outro caso do meio ou proximidades em que moramos ou trabalhamos, para nos apercebermos que, em alguns, as coisas da vida não correm bem ou muito bem; isto é, como convinha que tais coisas decorressem.
Há cada vez mais casais com muitas dificuldades e, daqui, os constantes divórcios. Em 2007, somando os matrimónios religiosos com os casamentos civis, 50% terminaram em divórcio. E, em informações recentíssimas, o ano corrente decorre da mesma maneira. Mas, como se sabe, não há efeito sem causa. O tempo de se reconhecerem um ao outro dos namorados, na sua maior parte, não é bem aproveitado. Esse tempo deve ser aproveitado para começarem a aprender a compartilhar os assuntos, o que vai correndo bem ou menos bem, durante esse tempo. Afinal, não serão estes assuntos que, depois do matrimónio / casamento, não vão tentar resolver. Cada um reconhecer-se melhor a si próprio e ao outro. Pois uma das melhores maneiras de nos reconhecermos a nós próprios é no confronto com o(s) outro(s); o mesmo se diga para conhecermos melhor os outros.
Outro assunto que deve ser tratado é o do planeamento familiar, talvez com o auxílio de médico(a) especialista e de princípios éticos. O reconhecimento inter-familiar é também muito importante. Mas, o que vemos nós? Aquilo que, infelizmente, não gostamos de ver: tempo passado não seriamente, brincando, sem um sentido sério.
Se o tempo de namoro não foi bem preparado, e não só afectivamente, será muitíssimo difícil decorrerem bem os tempos que se seguem e, quando começa a família a aumentar, se não existir uma responsabilidade bem preparada, o dia-a-dia pode tornar-se difícil. Actualmente, com a aquisição de casa própria e a vida, em geral, dificultada com a presente economia, isso pode determinar ou comprometer a vida em casal.
Depois, vivemos tempos muito assexuados. Se não houver uma responsabilidade muito séria, podem advir desconfianças de várias maneiras, infidelidades e tudo pode começar a parecer muito negro e difícil.
Nestas circunstâncias, eu atrever-me-ia a sugerir aos leitores que tiverem conhecimento de um casal qualquer, em dificuldades, tentarem uma ajuda que será sempre reconhecida. Li, numa revista da AMI, que se um pássaro levar uma gota de água no seu bico ou uma gota de mel e as deixar cair sobre um incêndio ou uma dificuldade que precisa de doçura, a avezinha já cumpriu a sua missão. Estas gotas de água ou de mel podem ser transportadas, por qualquer de nós. É só uma questão de humanismo e esperança.



