O seu território ocupa uma área de cerca de 5 km2, com um total aproximadamente de 200 habitantes. Contudo, durante muitos anos, esta localidade esteve anexa à freguesia de Vilarinho de São Romão.
Celeirós, também conhecida como a “Capital das Lagaradas”, está integrada na Região Demarcada do Douro, sendo conhecida pelos seus excelentes vinhos generosos (vinho do Porto) e de mesa. Esta fama de terra rica em vinhos foi reconhecida em 1756, quando o seu vinho branco foi considerado de “feitoria” fino, ou seja, de excelente qualidade.
Esta aldeia suspensa sobre o vale do Rio Pinhão, é uma das povoações mais típicas do concelho de Sabrosa, uma vez que conta com diferentes costumes e tradições.
Sérgio Gonçalves está à frente dos destinos da freguesia há quatro anos e considera que o “mais gratificante, deste trabalho, é ter ideias para melhorar a aldeia e, depois, ver as coisas acontecerem”.
Admite as dificuldades em gerir bem os destinos da freguesia, lembrando que a requalificação da capela ou a construção das casas de banho públicas foram da responsabilidade da Junta. “É preciso gerir da melhor forma as poucas verbas que existem”.
Obras
Relativamente a obras, Sérgio Gonçalves destaca a requalificação da capela, que foi transformada em capela mortuária, com dupla função, culto religioso e para receber os mortos. “Nós não tínhamos uma casa mortuária, por isso decidimos fazer a capela mortuária”, explica o presidente, adiantando que a obra teve a duração de seis meses. “Remodelámos a capela toda, construímos muros, alteramos o pavimento e também colocámos um telhado novo”.
Destaque, também, para as casas de banho que foram construídas ao lado da capela. “Estas obras foram muito importantes para a freguesia, uma vez que permitem oferecer melhores condições à população”.
Para além destas intervenções, o executivo também apostou na construção de casas de banho públicas e um parque, que dá acesso às mesmas. “As despesas foram suportadas pela Junta. Por exemplo, só as casas de banho tiveram um custo superior a 10 mil euros. Para a concretização destas obras foi preciso gerir bem os recursos”.
Correios e Serviços
Celeirós do Douro tem disponível para a população um posto de CTT. Para Sérgio Gonçalves, este serviço “é muito útil, especialmente para a população idosa, que aproveita esta proximidade para tratar de alguns assuntos”.
Este serviço está aberto de segunda a sexta-feira no período da tarde, uma vez que a funcionária também tem de levar as crianças à escola de manhã. “É um transporte feito há muitos anos pela Junta. Nós continuamos a fazê-lo, porque achamos que é uma mais-valia para a aldeia”.
Os cidadãos têm à sua disposição na Junta de Freguesia um leque alargado de serviços. “Às quartas e aos sábados, o executivo está na Junta para ajudar a população. Fazemos o IRS das pessoas, emitimos as autorizações para a realização das queimadas e outros serviços”.
História da festa do “Chocolate Quente”
Há mais de 50 anos atrás, fui convidada para uma festa em Poiares da Régua. No fim da missa, fomos encaminhados para um largo onde existia uma grande fogueira rodeada de potes. O pessoal da aldeia tinha na mão um prato e um garfo e daqueles potes saiu um arroz de carne que foi distribuído por toda a gente. Como nunca tinha visto nada assim, achei bonito aquele convívio e quando cheguei a casa contei à Sr.ª Ritinha (minha mãe) do sucedido.
Magicando no assunto, a minha mãe teve a feliz ideia de se fazer, no dia de Nossa Senhora da Conceição, que sempre fora venerada em Celeirós com missa e procissão, um chocolate quente, que só ela o sabia fazer tão bem. Ela falou com o Sr. Padre António Maria Cardoso, então pároco da nossa aldeia, que no dia da Sr.ª da Conceição podiam fazer o chocolate e distribuir pela população no Largo das Eiras (local onde se situa a Igreja Matriz). Ele achou uma ideia brilhante pois também conhecia o uso do arroz de carne de Poiares, onde o Pároco ia fazer o sermão da missa da festa.
E assim foi feito o chocolate na casa da minha mãe, por ela, por mim e pelas mordomas da festa. O mesmo era confecionado na lareira em grandes potes de ferro que depois eram transportados por homens para o largo onde fizeram uma grandiosa fogueira, de forma a tornar o espaço mais acolhedor. Todas as pessoas levavam uma caneca de casa para tomar o chocolate e este era acompanhado por bolacha Maria.
A tradição mantém-se hoje em dia e eu sei que tanto a Sr.ª Ritinha como o Sr. Padre Cardoso estarão muito satisfeitos por nós, os Celeirosenses, continuarmos a honrar os nossos costumes”.
Esta tradição comemora-se há mais de 50 anos. O dia 8 de dezembro é sinónimo de animação, convívio e muito chocolate.
“É uma festa de inverno que reúne as pessoas à volta de uma fogueira com um pote de chocolate”.
Lagaradas Tradicionais
Depois de um período de pausa, devido às obras públicas que encerraram as estradas da aldeia, no ano passado, as ruas de Celeirós voltaram a receber milhares de pessoas para comemorar a tradicional Lagarada.
A aldeia enche-se de gente, não só dos locais que recordam a infância passada no Douro, mas também dos muitos visitantes, que aproveitam para entrar pela primeira vez num lagar para pisar uvas.
Um brinde com “Porto de Honra” marca a abertura das festividades, que antecipa o cortejo realizado pelas ruas da aldeia, onde os participantes podem encontrar iguarias e produtos locais.
“É uma festa que simboliza a verdadeira vindima. Toda a gente conhece o cortar da uva, mas o pisar das uvas é uma experiência que pouca gente tem”, sublinha o presidente.
A abertura desta festa é feita ao som das concertinas, em que se recordam músicas típicas, que combinam com os sorrisos estampados nos rostos das pessoas. “Cada lagar tem a sua festa. Os participantes podem sair de um lagar para entrar noutro. Ao som da música das concertinas, abre-se o próximo lagar”.
No entanto, não é só o pisar das uvas que torna esta tradição tão especial. “Temos um pouco de tudo espalhado pela aldeia”, refere o presidente, adiantando que os visitantes podem “comprar produtos regionais, como mel, chouriços, enchidos, vinho, mas também artesanato e até mesmo beber uma poncha”.
Para animar a festa e de forma a manter o ritmo na aldeia, há muita música, com grupos de bombos, peças de teatro e outras atividades. “Podem usufruir de todo o tipo de experiências”, frisa o autarca, sustentando que as Lagaradas são o evento “mais importante” de Celeirós. “É uma celebração icónica e única, uma vez que poucas são as localidades do Douro que têm uma festa com esta magnitude. As Lagaradas são o maior aliado desta freguesia”.
Este ano, as Lagaradas estão agendadas para os dias 20 e 21 de setembro.
Esta tradição conta com o apoio do Douro XXI e ao longo de dois dias de evento, os lagares estão abertos para promover o vinho, que é o símbolo maior desta freguesia duriense.






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