Situada na parte sudeste do município, conta com uma área de 8,57 km² e faz fronteira com os municípios de Sabrosa e Peso da Régua.
A freguesia tem cerca de 384 habitantes, um número que tem crescido nos últimos anos, como nos refere o presidente de junta, Paulo Correia. “Muitos emigrantes têm regressado à terra natal. É um facto que a população está a crescer, com o retorno de muitos casais e reformados que viveram no estrangeiro”, afirma Paulo Correia.
À frente da Junta desde 2017, Paulo Correia frisa que “a política entrou na minha vida por acaso, já que nunca tive o objetivo de ser presidente”.
As encostas desta freguesia, cobertas de vinhas, parecem um verdadeiro quadro de pintura de arte com cores profundas e vibrantes, refletindo uma parte essencial da atividade económica local. “A principal fonte de rendimento da população provém da agricultura, especialmente da produção de azeite e vinho”, explica o autarca, adiantando que a população vive essencialmente da agricultura de subsistência e, para promover e divulgar os produtos da região, o executivo idealizou a realização de uma feira “Tradições e Sabores” cuja primeira edição ocorreu em 2024.
A secretária, Ana Isabel, sublinha que aproveita a festa de verão da aldeia, período em que muitos emigrantes regressam de férias, para proporcionar-lhes momentos especiais na terra natal. Nesse contexto, é organizada a feira e a Caminhada/Corrida ‘Trilhos de Guiães’, que já conta com três edições “tem tido muita adesão, tanto por parte dos habitantes como dos visitantes”.
Serviços
O novo edifício da Junta de Freguesia tem diversas funcionalidades. Para além da atividade recorrente, é um espaço de apoio à população, que pode funcionar como sala de formação e também centro de ginástica. Mas muitos outros serviços são ali prestados. “As pessoas se precisarem de realizar algum pagamento ou necessitarem de alguma declaração basta dirigirem-se à junta para que possamos ajudar no que for necessário”, acrescenta o autarca.
Um morador da freguesia, António Carvalho, aproveita a proximidade com a Junta para pagar contas. Desta vez, foi a fatura da água. “Este serviço é muito importante para a população, uma vez que se não houvesse aqui, teria de ir pagar a Vila Real. Ter aqui estes serviços à porta de casa, dão sempre jeito e tem muito valor”.
Cultura
A cultura é uma área que o executivo tem dado especial atenção. “Cada vez mais estamos a apostar na cultura”, para que a população interaja, se desenvolva e se mantenha entretida”. Ana Isabel, que está mais familiarizada com esta questão, evidencia que “temos cerca de 30 a 40 pessoas a participar na ginástica”. No Natal do ano passado, organizamos o primeiro concerto de Natal, no qual a população participou ativamente. Também promovemos apresentações teatrais e, neste ano, realizamos o Entrudo na freguesia. Além disso, temos participado regularmente em todas as atividades promovidas pelo município.” Estas atividades envolvem a “população e têm tido muita adesão”.
História
Guiães recebeu foral de D. Sancho I em 8 de abril de 1202. No entanto, a freguesia já existiria antes, pois é referida no foral de Abaças (24 de abril de 1200), quando se definem os limites do termo daquela terra. As Inquirições de 1258 referem-na como paróquia e as de 1290 utilizam o termo “freguesia”.
Tal como todas as demais terras pertencentes aos Marqueses de Vila Real, Guiães passou em 1641 para a posse da Coroa, quando o Marquês e o seu herdeiro foram executados sob acusação de conjura contra D. João IV. Em 1654, passou a integrar o património da recém-criada Sereníssima Casa do Infantado, situação que se manteve até à extinção desta, aquando das reformas do Liberalismo.
A esta freguesia pertenceu o lugar de Paradela de Guiães (atualmente, freguesia do concelho de Sabrosa), tendo este sido desanexado daquela, devido a desavenças entre os moradores, donde resultaram mortos.
A povoação é retratada na obra de Eça de Queirós, “A Cidade e as serras”, como sendo a terra natal de Zé Fernandes, grande amigo de Jacinto, figura principal do romance. Aqui fica um pequeno excerto da obra, onde o escritor fala da freguesia: “Um pedaço de céu azul, do azul de Guiães, que outro não há tão lustroso e macio”.
Curiosidades
- Balcão do Crédito Agrícola: O primeiro balcão do Crédito Agrícola de Vila Real abriu em Guiães há mais de 100 anos e, atualmente, continua aberto ao público.
- Eça de Queirós: Eça de Queirós vinha para Guiães escrever os seus textos.
- Festividades: Durante o primeiro fim de semana de agosto realiza-se a festa em Honra de Nosso Sr. dos Aflitos e Sta. Maria de Guiães.
Obras
A nível de obras públicas, o presidente afirma que “foram muitas”, mas ressalta, em particular, as pavimentações das ruas do Calvário e de Santo António, além da construção de vários muros de suporte nos caminhos agrícolas. “São intervenções essenciais para a população que depende da agricultura”, afirma.
Paulo Correia reconhece que o apoio do município é fundamental para a concretização dessas obras. “Sem o apoio da câmara municipal, na pessoa do presidente Rui Santos e Vice-presidente Alexandre Favaios não seria possível realizar estas obras. E temos uma excelente relação com o executivo municipal a quem agradecemos por todas as obras que conseguimos concretizar”.








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