O secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Valter Lemos, presidiu no dia 18, em Vila Real, à cerimónia de entrega a 300 formandos vila-realenses dos certificados referentes aos cursos realizados no âmbito do programa “Novas Oportunidades”, que, desde a sua implementação, já foi responsável pela qualificação de 1,7 milhões de portugueses.
“Quando acabei a primária, já no século passado, em 1966, não tinha condições na aldeia para continuar a estudar, e os meus pais não tinham capacidade financeira para me mandar para a sede do concelho”. Essa é a história de Orsínio Loureiro, mas é também a de tantos outros portugueses que aproveitaram o programa governamental para regressar ao percurso educativo que deixaram a meio.
Com 14 anos começou a trabalhar, aprendendo a arte de serrador mecânico, e foi aos 28 que deu início a uma carreira profissional na construção civil que o trouxe até ao posto de encarregado geral na empresa onde trabalha actualmente. Uma experiência longa que serviu agora de base para conseguir completar o 9º ano de escolaridade. “A minha experiência, que antes era apenas reconhecida pela qualidade do meu trabalho, está agora certificada”, explicou o formando, sublinhando que, sobretudo, aprendeu muito, não só noutras áreas, como a informática, mas também com a experiência de vida dos restantes colegas de curso.
“O país foi injusto para milhares de cidadãos no passado”, reconheceu Valter Lemos, explicando a necessidade de dar uma “nova oportunidade” a essas pessoas, mas também aos jovens que conscientemente deixaram escapar a primeira oportunidade.
O secretário de Estado defendeu ainda que, para além do valor que o processo de qualificação e reconhecimento de competências tem para cada um dos formandos, é também um desígnio nacional traçado com o objectivo de fazer de Portugal um país “mais competitivo”. “O programa Novas Oportunidades foi lançado para tentarmos conseguir ultrapassar os nossos défices de qualificação”, explicou o mesmo responsável político.
Mantendo a “grande vantagem de ser um programa que aceita todos, os empregados, os desempregados, os jovens, os adultos”, o “Novas Oportunidades”, que já mobilizou cerca de 1,7 milhões de portugueses, disponibiliza aos cidadãos vários caminhos de acordo com as suas necessidades de qualificação, desde a atribuição do certificado do 9º e do 12º anos de escolaridade, até à formação modular ou de cursos específicos de acordo com as necessidades de um determinado grupo de pessoas.
Forças de segurança aprenderam inglês
Entre as três centenas de formandos que receberam o seu certificado “Novas Oportunidades”, destacaram-se um grupo de 36 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e os militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que, numa iniciativa da Entidade Regional de Turismo do Douro (ERTD), receberam formação em inglês.
“Preparar a região para servir melhor o turista”, foi, segundo António Martinho, presidente da ERTD, o objectivo de proporcionar a formação aos agentes e militares, num total de perto de uma centena, que agora estão mais bem preparados “para fornecer informações em inglês solicitadas pelos visitantes estrangeiros que a eles recorram”.
O presidente da Turismo do Douro lembrou que “o sentimento de segurança é também quando um agente fardado nos pode ajudar a chegar a um local”.
Jorge Augusto, primeiro sargento da GNR de Vila Real, foi um dos formandos que recebeu o certificado. “Quis recordar e aperfeiçoar o inglês que aprendi na escola, no 7º, 8º e 9º anos de escolaridade”, explicou o militar, confirmando que já tinha sentido a necessidade de ter mais conhecimentos de inglês para prestar informações a turistas. “Como portugueses gostamos de receber bem, principalmente enquanto forças da autoridade”, sublinhou.
Ao desafio lançado pela Turismo do Douro aderiram os comandos da GNR e da PSP de Vila Real, bem como a GNR de Viseu, no entanto, a iniciativa espera envolver mais guardas e polícias, alargando-se ainda aos distritos de Bragança e Guarda.



