Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021

Com o tempo quente que faz a água mata mais que o fogo

Com o tempo quente que faz e com o poder consumista dos tempos de hoje, conduzindo a que as pessoas se desloquem facilmente, ainda que para zonas que não conheçam bem, ora para as praias do litoral, ora para as praias fluviais, para as barragens, albufeiras, lagoas, rios, piscinas e até poços ou tanques, sempre à procura de aventuras e emoções novas, os sítios ficam pressionados pela possibilidade de incêndios ou de afogamentos. Nem todos os lugares (mesmo os mais atraentes) oferecem segurança.

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Há praias que não têm nadadores-salvadores, há rios que não são vigiados, há lagoas com fundos falsos, há albufeiras com correntes inesperadas. Enfim, nem sempre “há mar e mar”, nem sempre “há ir e voltar”, pelos que os cuidados devem ser redobrados. 

O CONVITE À TENTAÇÃO

Todos os anos, o cenário repete-se. Na hora dos balanços, verifica-se que a água mata muito mais que os incêndios. Talvez porque a água transmita sensações de horizontalidade, calmaria, frescura, suavidade, enquanto o fogo é agreste, vertical, abrupto, exagerado nos seus dotes. O fogo causa irritação e faz com que as pessoas fujam. Pelo contrário, a água é convite e tentação. A tentação nasce dentro de nós. Queremos entrar na água, penetrá-la, senti-la. O convite nasce dela própria e o mais certo é que se sobreponha à racionalidade de uma utilização mais cuidada. A não ser assim, a água é tão letal como o fogo. Os afogamentos surgem de maneira inesperada, porque a água não avisa. E todos são vítimas dela, crianças e idosos, adultos e jovens.

NÚMEROS DE CASOS

Em 2019 morreram 117 pessoas, em Portugal, vítimas de afogamento, na maior parte delas por negligência. Os mais novos por desafio às ondas, às correntes e à necessidade de afirmação. Os mais velhos por desconhecerem os perigos, por não se resguardarem e por não guardarem distâncias. Uma parte menor, por doenças registadas dentro da água. Uns fenecem no local dos acidentes, de imediato; outros nos centros hospitalares para onde são conduzidos, mais tarde. 

Segundo dados oficiais, morrem mais homens (76,7% — a maior parte na casa dos 40 anos) que mulheres. Os casos de morte no mar são cerca de metade dos registados em rios (32,6 %) e barragens (25,6%). Um número significativo de mortes ocorreu, também, em poços (23,3%). Lisboa e Faro foram os distritos com mais mortes por afogamento, seguidos por Aveiro e Santarém. Mais de metade das mortes deu-se fora da época balnear e a maior parte em zonas não legalizadas para a prática dos banhos e da natação e não vigiadas ou concessionadas. Muitas delas ocorreram em locais afastados de centros habitacionais e com difícil acesso. O prazer da intimidade e dos segredos pode custar a vida.

 

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