Começa, amanhã, em Boticas, um colóquio internacional que, contando com mais de 150 estudiosos e investigadores de vários pontos do Mundo, vai transformar esta vila na Capital da Cultura Castreja. Para além do encontro, o concelho avançou já com a ideia de criar um Centro Nacional de Documentação ligado à matéria, um investimento de “largas centenas de milhares de euros” que conta com o apoio do Museu Nacional de Arqueologia e do Instituto dos Museus e Conservação.
Na sequência da organização da exposição e colóquio internacional “Guerreiros Castrejos: Deuses e Heróis nas Alturas do Barroso” que começa amanhã e que decorre até ao dia 28, a autarquia de Boticas avançou com o projecto de criação de um Centro Nacional de Documentação da Cultura Castreja, neste concelho.
A ideia, apresentada por Fernando Campos, Presidente da Câmara Municipal de Boticas, durante a conferência de imprensa de apresentação do colóquio internacional, tem como objectivo criar um espaço que reúna “algumas peças originais” da cultura castreja, “incluindo a volta de dois guerreiros encontrados no Castro de Lasenho, a par de réplicas de outros locais de Portugal e da Galiza”, de uma biblioteca com toda a documentação existente nesta área e de ligações virtuais a outros concelhos.
Contando já com o apoio do Museu Nacional de Arqueologia e do Instituto dos Museus e Conservação, Fernando Campos explicou que, até ao final do ano, será assinado um protocolo com as duas instituições e ainda com a Universidade do Minho, sendo o próximo passo a criação de um corpo técnico que irá preparar a estrutura e desenhar um projecto que será candidato a fundos europeus.
Apesar de ainda não avançar valores, o autarca garante que, mesmo que não seja contemplado por apoios comunitários, o projecto, cujo orçamento envolverá “largas centenas de milhares de euros”, será suportado pelo Município.
“Este é um projecto estruturante, vai ser mais um pólo de desenvolvimento, dinamização cultural e atracção turística do nosso concelho”, considerou o edil.
Já com uma morada pensada, um solar recuperado junto ao Museu de Boticas, o Centro Nacional de Documentação terá outra particularidade, o facto de oferecer, aos estudiosos, investigadores ou estudantes, a possibilidade de trabalhar, durante a noite, contando, para isso, com um espaço que permitirá a estadia, por períodos a determinar, onde os usuários poderão descansar e, até mesmo, fazer refeições ligeiras.
De recordar que amanhã começa o Colóquio Internacional, para o qual já estão inscritos cerca de 150 participantes, entre professores universitários, investigadores, arqueólogos, especialistas e alunos das várias universidades portuguesas e de vários outros países.
Também amanhã abrirá ao público uma exposição que assinala o regresso dos guerreiros castrejos que, encontrados no Castro de Lesenho, cerca de 200 anos depois, regressam a Boticas.
A exposição, patente até ao dia 13 de Outubro, vai receber ainda os Guerreiros Castrejos sentados que, património do Museu Arqueológico Provincial de Ourense, pela primeira vez, vão sair de Espanha, ou o Guerreiro da Citânia de Sanfins, cedido pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira.
No próximo dia quatro de Outubro, realizar-se-á a primeira reunião da Associação de Amigos dos Guerreiro Castrejos, uma organização que conta já com um Conselho Instalador, composto por nomes como o general Rocha Vieira, o professor catedrático de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa António Dias Farinha, o arqueólogo Luís Raposo, a jornalista Fátima Campos Ferreira e, entre outros, o escritor José Manuel Saraiva que, com apoio da autarquia barrosã, vai dedicar a sua próxima obra exactamente ao Guerreiro Castrejo.
Maria Meireles




