Em declarações à Rádio Universidade, Paulo Pereira, presidente de clube transmontano, explicou que a desistência do campeonato, “que já se vinha adivinhando há algum tempo”, prende-se com questões económicas.
“Mais que difícil, é praticamente impossível” angariar patrocinadores, sublinhou o dirigente desportivo, lembrando que para clubes localizados em cidades de maiores dimensões essa é uma missão complicada, “numa vila do interior como Boticas, onde a indústria praticamente não existe e o comércio local está a atravessar uma grave crise financeira”, torna-se ainda mais difícil.
De recordar que, pelos mesmos motivos, a equipa da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD/Realfut) também abandonou o Campeonato Nacional na época desportiva anterior, e, já este ano, dois clubes anunciaram a sua ‘saída de cena’ das competições nacionais da modalidade, nomeadamente a Fundação Jorge Antunes, de Vizela, e o Instituto D. João V, de Pombal.
A situação delicada do clube ao nível financeiro levou a que, nas últimas eleições não surgissem listas candidatas à sua direcção, tendo por isso os anteriores órgãos sociais assumido o novo mandato. Apesar de ter adiantado anteriormente que não se recandidataria à presidência da direcção do Boticas, Pedro Pereira, “por amor ao clube e à terra”, voltou assim a assumir o cargo. “Não houve listas candidatas no acto eleitoral de 31 de Maio. Decidi então assumir, com os elementos da direcção que me acompanham, o mandato dos próximos dois anos. Queremos cumprir os compromissos com os nossos credores, o nosso objectivo principal é sanear o clube”, garantiu o mesmo responsável desportivo.
Reconhecendo que há salários em atraso, Paulo Pereira deixa a garantia de que, assim que se consigam arrecadar receitas, a prioridade será “liquidar os vencimentos em atraso dos atletas e dos elementos das equipas técnica e médica”, porque foram eles que “dignificaram o clube”. “Contamos resolver tudo a breve trecho, mas uma coisa é certa, se não conseguirmos liquidar tudo durante o mês de Julho, o faremos até ao final do ano, ou o mais rápido possível”, sublinhou o presidente.
“Se calhar ao contrário de outros clubes, o nosso compromisso é com o passado recente e não com o futuro”, garante Paulo Pereira, deixando a certeza de que a actual direcção não esquecerá as “responsabilidades assumidas com os atletas e com os elementos das equipas técnica e médica”, com quem “teve muita honra em trabalhar”.
No ar fica a possibilidade do Grupo Desportivo Barrosão criar uma equipa para competir no campeonato distrital da Associação de Futebol de Vila Real.




