Sábado, 3 de Junho de 2023
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Cruz Branca é “mais velha” do que se pensa

A conclusão é de Paulo Guimarães, diretor do Arquivo Distrital de Vila Real, depois de se debruçar sobre alguns documentos históricos. Em causa está um “lapso temporal” de quase 40 anos.

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“A Cruz Branca celebrou, em janeiro, 126 anos, mas consultando a informação disponível em jornais da época, é possível perceber que é muito mais velha”, conta Paulo Guimarães, que ficou com “a pulga atrás da orelha” precisamente por ocasião das comemorações, onde foi apresentado um livro sobre a história da Associação Humanitária.

“No âmbito de uma exposição, apresentaram-me alguns documentos, cujas datas não batiam certo com as que são conhecidas”, refere, acrescentando que “um dos documentos era de julho de 1897 e outro de setembro desse ano. De onde vem, então, o dia 6 de janeiro?”.

Foi a partir daqui que começou “a investigação” e, consultados três jornais da época, neste caso, O Villarealense, O Echo e O Povo do Norte, foi possível perceber que “a 6 de janeiro de 1900 não há nada que fale disto”.

Paulo Guimarães lembra que “em 1864 foi criado o corpo de bombeiros municipais, pela câmara, que durou até 1890, ano em que surge a Associação dos Bombeiros Voluntários Villarealense (atual Cruz Verde)”. Um ano mais tarde, e tendo em conta a mudança de “partido” na câmara, “os bombeiros municipais foram integrados nos voluntários e ficaram sob a sua gestão”. Chegados a 1897, e já com outra força política na câmara, os bombeiros voltaram a separar-se, sendo nomeado para comandante dos bombeiros municipais Manuel José de Morais Serrão.

“Efetivamente, em 1897, nada é criado. Verifica-se, isso sim, a alteração das seguintes realidades: os bombeiros municipais e o seu material voltam à tutela direta da câmara, muda o seu comandante, passam a ter uma forte componente de voluntários e generaliza-se a designação paralela de “Corpo de Salvação Pública”. Tudo o resto, mantém-se”, frisa Paulo Guimarães.

De acordo com a edição de 7 de agosto de 1898 do jornal O Echo, a Corporação de Salvação Pública é “a continuação do antigo corpo de bombeiros criado pela câmara há mais de trinta anos”. Já O Villarealense, no dia 11 de agosto, subscreve esta afirmação, voltando ao assunto no dia 25, onde refere que “o Corpo de Salvação Pública é a continuação da antiga corporação de bombeiros municipais, que tomou aquele nome por se terem agregado a esta, como voluntários, um grande número de rapazes”.

Assim, chegamos a 1899, e há nova intenção de colocar os municipais na dependência dos voluntários, o que não se chega a concretizar porque “os elementos do Corpo de Salvação Pública não aceitaram”. Com isto, “tem início o processo de constituição de uma associação, bem como uma subscrição pública para fazer face às despesas”, ou seja, os bombeiros municipais decidem criar uma Associação, cuja aprovação dos estatutos aconteceu em outubro de 1899. Assim, a 6 de janeiro de 1900 nasce a Associação dos Bombeiros Voluntários do Corpo de Salvação Pública, ou seja, completou, este ano, o seu 123º aniversário. Já a corporação de bombeiros está “prestes a comemorar 159 anos”, isto porque, atendendo à documentação existente, “foi criada a 29 de junho de 1864”.

LEIA O AQUI ARTIGO CIENTÍFICO DE PAULO GUIMARÃES

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